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UMA CONVERSA FRANCA SOBRE EMPREENDER ONLINE – PARTE I

Publicado em: 25 de novembro de 2020 às 13:03 Alessandro Mazaroto

Provavelmente seu produto é uma Farsa

Quando você está iniciando como Produtor de conteúdo, e usando as ferramentas de Marketing Digital, o que você mais escuta é que precisa produzir conteúdo e ter um bom produto. O “tal” conteúdo é primordial para que você entregue valor para a sua audiência, e o produto para que você seja retribuído — geralmente com status e dinheiro — o incrível e árduo trabalho de estar ali para elas (gerando reciprocidade) todos os dias, muitas vezes de graça…

E blá, blá, blá.. é reciprocidade pra cá, é entregar valor para lá, e você é bombardeado com um monte de conteúdo manjado — e muitas vezes totalmente inútil na internet. Além disso, seu produto nem é tão bom assim. Muitas vezes foi produzido às pressas, com uma câmera foleira e um áudio sofrível.

E se não bastasse, existe uma tal “Fórmula” por aí que impregna na mente do professor (ou “Expert”) que precisa postar conteúdos todos os dias, alguns menores (nuggets, nutellas, e esses termos ridículos) e conteúdos mais densos. Por si só você que a quantidade é mais exaltada que a qualidade.

São centenas de “especialistas” clamando que: “Você precisa ser uma autoridade!”, “Precisa produzir com conteúdo!”, “Dê de graça e será recompensado…”, “O conteúdo é o rei do Marketing..”, “Tenha um produto transformador!”, e mais blá, blá, blá.

E não é bem assim.

Depois de 7 anos trabalhando só com lançamentos de projetos e infoprodutos, e ao menos por 10 anos atuando em nível de gestão e sociedades em Startups de tecnologia — sendo uma delas um unicórnio — percebo que existe muito ruído e uma falta de clareza imensa no que condiz “gerar valor” para seus clientes.

Existem muitos conteúdos e produtos digitais transformadores? Sem dúvida.

Muitos dos conteúdos gratuitos são realmente focados em qualidade? Com certeza.

Mas… geralmente tanto os “conteúdos” como os produtos são ruins, e só servem para arrancar o seu dinheiro.

Além disso, o mercado te educa muito mal nas práticas de Marketing. Provavelmente — e infelizmente deve ser o seu caso — você não possui um produto verdadeiramente forte. Ou se possui, deve produzir conteúdo muito mal.

E isso não é culpa sua. Você não têm culpa de produzir conteúdo mal, ou de não saber exatamente como criar um produto que esteja conectado com as dores de sua audiência.

Como eu disse, o mercado de Marketing no Brasil em geral é muito bom.. em vender. Mas péssimo em gerar resultados satisfatórios para seus clientes.

Existem exceções? Lógico. Mas… não é fácil conseguir separar o joio do trigo.

Antes de falarmos os pontos que te fazem errar na sua produção de conteúdo e na elaboração do seu produto, eu gostaria de falar sobre dois tipos de economia.

Economia Digital vs Economia Real

A economia digital

É onde estão praticamente todos os tipos de produtos de informação — os famosos infoprodutos — e entretenimento, e possui hoje a barreira de mercado (que é o grau de dificuldade de você poder emprende-la) relativamente baixa, você podendo iniciar um negócio até mesmo com poucos reais.

Todos os cursos online se enquadram nesta categoria. Se você é um produtor/professor/expert, provavelmente é isso que você vende: informação.

A indústria de informação consiste em um agente, que transmite uma determinada informação para levar o cliente/consumidor/aluno de um ponto A para um ponto B.

Tanto que muitos a chamam de indústria da transformação. No Brasil — principalmente depois do COVID-19 — mais de 1,38 bilhões de crianças e adolescentes ao redor do mundo pararam de ir a aula por conta da pandemia. Para ajudar a diminuir esse número, a UNESCO criou um grupo de trabalho especial (Global Education Coalition) que dá uma consultoria técnica para governos.

Hoje, estima-se que a indústria do conhecimento gira em torno de 8 bilhões de reais só no Brasil. Não é atoa que a internet está cheio de especialistas e empresas de lançamentos e plataformas como a Hotmart, Eduzz e Monetizze faturam milhões de dólares por ano.

E quem se beneficia deste mercado, além dos Gateway de pagamentos, são os infoprodutores, coprodutores, afiliados, agências digitais, redes sociais (através da compra e venda de propagandas) e diversos empreendedores e negócios digitais.

Entretanto, a indústria de “digital marketing” ainda está só no começo no Brasil, visto que indústrias de mídia e informação tradicionais — como as redes Televisivas brasileiras — faturam mais de 30 bilhões ano… vendendo o quê? informação e entretenimento.

Fica óbvio que as grandes redes de mídia, rádio e tv estão se adaptando para os meios digitais, mas que ainda existe uma quantidade de dinheiro muito grande, e que está trocando cada vez mais de mãos na economia digital.

Mas, ela é um bebê comparada ao outro braço econômico que vamos citar…

A economia real.

Como o próprio nome já diz, a economia real é onde estão 90% de todos os negócios consumíveis conhecidos, e onde gira a maior parte do PIB nacional. A economia real é composta de negócios locais, produtos físicos, bancos digitais, empresas de entrega e e-commerces — que mesmo tendo sua aplicabilidade online, grande parte vende produtos físicos.

A economia real gira só no Brasil um quantitativo estimado de 80 bilhões por ano — isso mesmo, a economia digital vale só 10% do que hoje vale a economia real.

Para você ter idéia, até o momento (estou escrevendo isso em agosto) só os e-commerces nacionais faturaram R$ 41,92 bilhões — em pleno COVID-19 —, e nem chegou a Black Friday.

E mesmo sendo uma economia mais “física” ela está quase que praticamente digitalizada. Todos os braços que atendem empresas e serviços na economia digital estão na economia real, e ainda com muito mais estrutura e faturamento.

A Magazine Luiza por exemplo possui sistemas de Dropshipping — que possibilita autônomos a venderem através de seu portal, mesmo sem precisar de estoque, afiliados e distribuição de mídia paga com monitoramento inteligente de anúncios. Não é atoa que ela fez a recente aquisição da InLoco — empresa de mídia paga e inteligência de anúncios — para poder monetizar a sua audiência.

Além disso, as FinTecs – empresas que tecnologias no mercado financeiro – e as empresas de delivery como iFood, Loggi e Rappi, já são unicórnios (empresas com que possuem valor patrimonial acima de 1 bilhão de dólares) e estão crescendo ainda mais. Os unicórnios nacionais hoje são a 99, Ebanx, Gympass, iFood, Loft, Loggi, Nubank, QuintoAndar e Wildlife. Tais empresas captaram mais de US$ 1,2 bilhão em 2019 e outros US$ 175 milhões no primeiro mês de 2020.

Eu mesmo já fui gestor na Loggi, e fiz parte do time quando ainda estávamos batalhando para nos tornamos um unicórnio. Eu fiz parte do time justamente na expansão territorial e na abertura de mercado para o Nordeste.

O que eu vi na Loggi, e também com diversos amigos em postos chave em diversas Startups no Brasil, é a consolidação do que certa vez disse Bill Gates:

“Em alguns anos vão existir dois tipos de empresas – as que fazem negócio pela Internet e as que estão fora dos negócios”.

E o que isso tem a ver comigo?

Há 12 anos eu sou obcecado pelo Digital. Comecei trabalhando em 2009 desenvolvendo blogs e websites para quase todo o tipo de empresa. Depois, quando tive a honra de ser colaborador em 2013 do CERS (onde estive por quase 6 anos) eu pude viver o mundo dos produtos de informação. Nessa época eu já trabalhava mais com a parte estratégica de produto e já tinha passado por diversas agências sendo Designer e Propagandista. Depois, em 2017, com a minha empresa eu comecei a lançar professores e especialistas.

Mas, eu também tive duas agências de mídia e online, que tinham como foco atender empresas da economia real. Uma se chamava Jeito Geek — empresa com foco em criação de marca e branding — e a outra chamava-se Pontelab — cujo foco era a fornecer soluções tecnológicas para negócios físicos locais.

Além disso, como mencionado, tive o privilégio de fazer parte de uma unicórnio nacional, a Loggi — empresa de tecnologia em entregas — hoje atuante em todo o Brasil e em algumas cidades do exterior. 

Por eu ter uma experiência que é bem fora da curva do mercado tradicional, eu levantei todas as informações a ponto de ter o modelo de negócios inteiro na minha cabeça, e consegui identificar onde a maioria dos negócios da economia digital erram:

Eles criam conteúdos desconectados das soluções reais.

Por mais que se fale muito em “produzir conteúdo de valor”, ao pararmos para analisar, o comprometimento com o resultado de seus clientes (ou alunos) é praticamente zero.

Quando um professor/expert/especialista se propõe a criar um produto de informação, ele não está desenvolvendo algo que esteja 100% relacionado com o resultado do seu aluno. Se o seu aluno não conseguir colocar em prática, a culpa não é dele.

Basicamente, você adquire um serviço sem garantias. Além disso, 80% do tempo é despendido em atrair novos alunos, e não em melhorar a entregabilidade — e resultados — de seus clientes.

É isso que faz tanta gente enxergar com nariz torto os empreendedores digitais. E não me leve a mal, eu também sou um empreendedor digital e não estou isento de tal crítica.

Mas… como realmente deixar de ser um possível farsante, e realmente ter algo de valor — e que você se orgulhe — para entregar?

AUTOR: ALESSANDRO MAZAROTOwww.linkedin.com/in/mazaroto/?originalSubdomain=br

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