Maurício Gieseler

Maurício Gieseler

Advogado em Brasília (DF), este blog é focado nas questões que envolvem o Exame Nacional da OAB, divulgando informações e matérias atualizadas, além de editoriais, artigos de opinião e manifestações que dizem respeito ao tema. Colocamos, também, a disposição de nossos visitantes provas, gabaritos, dicas, análises críticas, sugestões e orientações para quem pretende enfrentar o certame. Tudo sobre o Exame de Ordem você encontra aqui.

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- Categoria: Cursos do Portal

Por que começar a se preparar desde já para o XVI Exame de Ordem?

O Portal Exame de Ordem já lançou seu Curso Preparatório Completo para o XVI Exame de Ordem para quem deseja se preparar com antecedência para esta edição do Exame. Daí surge a pergunta:  faz sentido começar a se preparar desde já para uma prova que ainda está “tão distante…”

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Esse é o ponto: a prova não está “tão distante” assim apesar de faltar aproximadamente 4 meses para ela ocorrer.

Não, ainda não temos o calendário de 2015 do Exame, mas mantida a regularidade das edições é bem provável que este seja efetivamente o lapso temporal disponível de hoje até a sua efetiva data.

Observo há muito a existência de uma espécie de “cultura do imediatismo” quando falamos da preparação para o Exame. Aparentemente os candidatos só se dão conta da prova quando o lapso temporal até ela se aproxima demais, quando não dá mais para ignorá-la. E aí, sob a pressão irresistível da necessidade, os estudos começam a tomar forma.

E isso está errado!

Não raro vários examinandos pedem dicas para começar a estudar com 1 ou 2 meses antes da prova, apostando mais em uma preparação INTENSIVA e geralmente incompleta para conseguir passar na 1ª fase.

Esse tipo de preparação não é a ideal, pois o examinando, em regra, não consegue esgotar todo o conteúdo, além de ter prejuízos quanto ao uso das melhores técnicas de estudo para a preparação.

O ideal é, tal como já escrevi inúmeras vezes, é ler uma doutrina específica ou ver uma aula, acompanhar com a legislação, resolver muitos exercícios e revisar periodicamente o conteúdo para sedimentar a informação, formando a chamada memória profunda.

Com pouco tempo todo esse processo – trabalhoso mas eficiente – é comprometido, seja porque não é possível fazer as revisões ou porque a leitura é apressada ou porque um volume adequado de exercícios não é resolvido, ou todo o conteúdo não é estudado (é o mais comum!) ou mesmo uma junção destes fatores todos.

O prejuízo é manifesto!

Deixar para estudar faltando 1 ou 2 meses é, acima de tudo, uma APOSTA.

Pergunta elementar: faz sentido “apostar” durante o processo de preparação? Não faz, e não faz porque o Exame de Ordem está longe de ser uma prova tranquila.

Atual e futuro contexto do Exame

Os últimos Exames confirmaram mais uma vez a aura de dificuldade em torno da prova. Vamos olhar os dados das últimas edições para termos uma noção do que está acontecendo:

VII Unificado - 111.909 inscritos - 16.419 aprovados

VIII Unificado - 117.852 inscritos - 20.785 aprovados

IX Unificado - 118.537 inscritos - 12.513 aprovados

X Unificado - 124.887 inscritos - 32.088 aprovados

XI Unificado - 101.156 inscritos - 12.786 aprovados

XII Unificado - 122.354 inscritos - 16.665 aprovados

XIII Unificado - Sem divulgação do número de inscritos pela OAB - 21.092 aprovados

XIV Unificado - 110.820 inscritos - 27.835 aprovados

Destaquei deliberadamente o número de aprovados no X Unificado, o maior percentual de todos os tempos.

Ao se olhar a discrepância de aprovados entre o X e o XI e XII Exames a primeira e óbvia pergunta que surge é: como pode ter uma variação tão grande no número de aprovados entre uma edição e as duas seguintes?

Asseguro a vocês: isso não é resultado do acaso!

O X Exame foi o pior de todos os tempos. O volume de confusões, problemas e questionamentos foi tão grande que precipitaram em várias alterações na prova, incluindo aí uma reforma de emergência no provimento e reformas subsequentes nos subsequentes editais: repescagem, indicação correta da peça, etc. Todas com o fito de “apertar” ainda mais o laço.

Uma observação interessante retirada dessas mudanças e ter a percepção de que a OAB está muito atenta ao que acontece e agora passa a reagir de forma quase que imediata aos problemas da prova. A entidade tornou-se muito mais reativa.

Todas as mudanças acima tiveram com o propósito sufocar qualquer tipo de problema nas futuras provas. Foram alterações pontuais na regulamentação para atacar problemas específicos, responsáveis por uma série de controvérsias, tal como a cobrança de jurisprudência pacificada dos tribunais, a delimitação clara do que é a peça prático-profissional, entre outras importantes mudanças.

Não resolveu por completo, em especial pelo o que vimos no XIII Exame, mas deu uma melhorada.

E uma dessas mudanças, certamente a mais sensível, curiosamente não pode ser encontrada no edital ou no provimento: e a mudança no grau de dificuldade da prova, que continua oscilando.

Na 1ª fase do X Exame de Ordem foram aprovados 67 mil candidatos, ou seja, 54% dos inscritos. Na 1ª fase do XI Exame de Ordem foram aprovados 19,67% dos inscritos, ou seja, 19.897 candidatos. E na 1ª fase do XII Exame foram aprovados 25.706 candidatos (21%) dentre os 122.354 inscritos.

De 54% no X Exame caímos para 20% (média) de aprovados no XI e XII exames. Bela discrepância, não é?

Infelizmente a Ordem não divulgou o número de inscritos no XIII Exame, e por isso não temos como saber percentualmente quantos foram aprovados.

Todavia, sei que 21.092 candidatos foram aprovados, o que representa um aumento em relação às edições anteriores, ao menos sob a ótica quantitativa.

E agora, no XIV, tivemos um aumento quantitativo no número de inscritos: 27.835 aprovados, ou 25,11% de aprovação.

O interessante é sempre ver a oscilação nos percentuais finais. Alguns podem achar que as oscilações são pequenas, e talvez sejam, mas para mim elas são significativas.

De toda forma, os percentuais de aprovação são sempre baixos.

De uma forma ou de outra, a lógica da Ordem é sempre a de manter um percentual alto de reprovação. É assim que funciona.

E, claro, há a perspectiva de termos mais mudanças ainda: XXII Conferência Nacional da OAB: o novo marco regulatório do ensino jurídico, alterações na graduação e as possíveis mudanças no Exame de Ordem em 2015

Imagino que agora em novembro as mudanças sejam anunciadas. Não é uma certeza quando a data e quanto ao que efetivamente será mudado, mas teremos mudanças com certeza.

Por que então começar a estudar tão cedo para a prova?

Antecipando a preparação

Este então é o contexto. Não é um cenário agradável, assim como também as estatísticas sozinhas demonstram a natureza da prova da OAB.

Aqui o futuro examinando tem de estabelecer uma tomada de consciência, ou seja, ter a noção da amplitude do desafio: passar na OAB não é fácil!

Isso deve ser somado, naturalmente, com a própria ambição do candidato. Qual é a importância da aprovação? Há um sonho por detrás dela a ser realizado? Vai advogar, concurso público? Essas pretensões exigem, por base, a aprovação na OAB, e levar a preparação e a prova a sério é condição elementar para a realização do próprio sonho.

Daí surge a necessidade de estudar desde agora para a prova do XVI Exame de Ordem: para transformar o sonho em real possibilidade de sucesso.

Prazos

Como tratei antes, não temos uma data ainda para o XVI Exame. mas é razoável supor projetá-la para o final de março ou início de abril de 2015.

É um lapso de tempo muito bom para se conseguir não só esgotar todo o conteúdo programático da prova como também adotar as metodologias de estudo adequadas para fixar corretamente o conteúdo da prova na cabeça.

Aqui faço uma pergunta a quem está lendo o texto: por que esperar?

O que impede dar início aos estudos, o que te impede de começar a transformar uma pretensão em realidade?

Creiam-me: quanto antes tem início a preparação, melhor. Isso não é um achismo, é uma conclusão óbvia e fale para QUALQUER tipo de prova. A diferença é que o Exame de Ordem não é um passeio no parque. É preciso estar efetivamente pronto para ser aprovado.

Reflitam e façam suas escolhas.

Curso completo para o XVI Exame de Ordem! Prepare-se com ANTECEDÊNCIA para vencer a OAB!

- Categoria: Recursos para prova subjetiva

Professor Penante aponta falha na última prova de Empresarial

No dia 20 deste mês o professor Penante iniciou um debate em seu grupo no facebook – Grupo de estudos 2ª fase Empresarial – sobre uma incongruência no espelho da prova de empresarial.

Para ele ficou bem estranha a exigência, apontada no espelho apresentado pela banca organizadora, de que a “A companhia poderia, alternativamente, realizar a venda das ações em leilão na bolsa de valores, por conta e risco do acionista, mas preferiu ajuizar ação de execução para cobrar as importâncias devidas (0,75).

Prova de Empresarial

Padrão de resposta

A sociedade anônima poderia, sucessivamente, cumular procedimento judicial de execução com a tentativa de venda da ação em leilão de Bolsa de Valores (art. 107, par. 3º, Lei 6.404/76). Mas o enunciado da questão aponta que “Carlos e Gustavo optaram por exigir a prestação de Pedro …” .

Não seria compreensível, portanto, exigir que os examinados fizessem menção àquilo que não refletia a pretensão da companhia. Para Penante, mencionar essa possibilidade poderia ser percebido pela banca como elemento em desacordo com pretensão deduzida pela constituinte, nos termos do problema.

2ª fase em Direito Empresarial - Aula demonstrativa gratuita

Afora isto, a opção pela venda das ações de Pedro através de leilão ocasionaria a sua exclusão do quadro social. Aqui, mais um problema, pois foi explicitado que Carlos e Gustavo “… não desejavam promover a redução do capital social da companhia, nem excluir Pedro …”.

O item, portanto, deveria ser anulado e a pontuação correlata deferida a todos os candidatos (0,75).

No site do professor Penante é possível baixar a íntegra da petição por ele elaborada:

Francisco Penante

Protocolei essa petição HOJE no CFOAB para dar ciência formalmente à Comissão Nacional do Exame de Ordem da situação:

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Infelizmente em Brasília, hoje, nenhum membro da Comissão se encontra presente e não foi possível despachar o pedido.

Os candidatos que fizeram empresarial precisam ter em mente, contudo, que o XIV Exame acabou, ou seja, será muito difícil reverter a situação nessas alturas do campeonato. Não me lembro de ter ocorrido antes qualquer alteração na prova após o fim de uma edição do Exame.

Isso não quer dizer, evidentemente, que mudanças não possam ocorrer.

De toda forma, o caminho pela via judicial, neste caso, parece-me bastante factível. Este é outro campo complexo, mas trata-se de um erro material, e a via judicial para este tipo de caso não está fechada.

- Categoria: Cursos do Portal

Curso completo para o XVI Exame de Ordem! Prepare-se com ANTECEDÊNCIA para vencer a OAB!

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Dar início aos estudos para o Exame de Ordem com MUITA antecedência: essa é a chave para maximizar as chances de aprovação.

Essa é uma forte crença que possuímos, e isso em razão dos seguintes motivos:

1 - as estatísticas do Exame de Ordem mostram que os percentuais de aprovação são sempre baixos, na faixa entre 15 a 25% do total de inscritos;

2 - na preparação de longo prazo o examinando consegue abordar TODO o conteúdo programático para a OAB. Isso maximiza as chances de aprovação, pois o candidato poderá ter um desempenho bom em todas as diferentes disciplinas da 1ª fase;

3 - mais do que abordar todo o conteúdo, é possível implementar com qualidade uma metodologia consistente de estudo, envolvendo a resolução de exercícios e revisões periódicas, fundamentos principais para se estabelecer a chamada memória profunda. É preciso acompanhar a aula, resolver exercícios e revisar o conteúdo, e quanto antes o processo de estudo for iniciado, melhor para o estudo em si e melhor para o candidato, que produzirá para si mesmo um estudo mais consistente.

Por isso estamos lançando o nosso curso  curso preparatório COMPLETO para o XVI Exame de Ordem.

Curso Preparatório Completo para o XVI Exame de Ordem

Faltam pelo menos 4 meses para a prova objetiva do XVI Exame de Ordem. Este lapso temporal é o ideal para quem deseja começar a se preparar com antecedência, visando esgotar todo o conteúdo da futura prova objetiva. E é por isso que estamos lançando agora este curso: pois ele é abrangente, completo, perfeito para quem quer passar na 1ª fase com SEGURANÇA!

Este curso é ministrado por MESTRES na preparação para o Exame de Ordem: Renato Saraiva, Geovane Moraes, Cristiano Sobral, Aryana Manfredini, Matheus Carvalho, Flávia Bahia, Ana Cristina, André Mota, Francisco Penante, Sabrina Dourado, Paulo Machado, Frederico Amado, Cristiane Dupret, Bernardo Montalvão e Alexandre Bezerra.

A carga horária do curso é de 103 encontros, com 2 horas cada encontro, totalizando, aproximadamente, 206 horas/aulas

Valor Promocional até o dia 23/11/2014: R$ 802,50 (oitocentos e dois reais e cinquenta centavos)

DETALHE: As aulas nunca são repetidas! Aulas SEMPRE INÉDITAS e atualizadas para cada edição do Exame de Ordem.

E devemos ressaltar as seguintes vantagens:

1 – As aulas podem ser vistas desde o começo. O aluno não perde nada do conteúdo ministrado independentemente do momento da matrícula;

2 – Cada aula pode ser assistida até duas vezes;

3 – A aula pode ser pausada ou o aluno pode voltar para determinado trecho dela para rever uma explicação, maximizando a absorção do conteúdo;

4 – O aluno faz seu horário de estudo e implementa a autogestão do aprendizado.

As vantagens acima representam um plus estratégico na preparação que, somadas com a força do conteúdo ministrado pelos professores do Portal, oferece ao aluno um excelente preparação.

Cliquem no link e inscrevam-se no Curso Preparatório Completo para o XVI Exame de Ordem.

O Exame de Ordem acontece aqui, no Portal Exame de Ordem!

- Categoria: Anulações de questões, Como se preparar para a prova

Fazer 40 pontos ou mais é a lei, ou, candidato nenhum pode depender das anuladas na 1ª fase da OAB

Geralmente só falo de anulações após a prova da 1ª fase, quando, evidente, surge a agonia dos candidatos que tiraram 37, 38 ou 39 pontos e ficam aflitos com a grande dúvida: devem ou não fazer um curso para a 2ª fase, alimentando a esperança de serem posteriormente aprovados com algumas anulações.

Mas…

Mas a OAB anda sendo meio implacável nas últimas edições do Exame de Ordem, frustrando a todos com uma postura para lá de rigorosa: nas últimas 7 edições da prova a OAB não anulou nenhuma questão em 5, sendo que essa negativa ocorreu nas últimas 3 edições.

Confiram o histórico:

VIII Unificado - Nenhuma anulação

IX Unificado – 3 questões

X Unificado - Nenhuma anulação

XI Unificado – 1 questão

XII Unificado - Nenhuma anulação

XIII Unificado - Nenhuma anulação

XIV Unificado -Nenhuma anulação

Trash total!

Neste ponto vocês perguntam:

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Pois é, qual a necessidade disso?

Ninguém da OAB ou da FGV aparece nessas horas para responder essa pergunta.

Será que NENHUMA  questão nessas edições merecia ser anulada? Nenhuma mesmo?

Sim, em todas as edições questões equivocadas mereciam ser anuladas, mais de uma, diga-se de passagem. Mas por alguma razão, a OAB criou um “critério” ou “padrão” de conduta e passou a refutar sistematicamente qualquer possibilidade de anulação.

Pior, o fez por 3 edições seguidas, criando uma espécie de “padrão” de conduta.

Evidentemente, ninguém gosta disto, mas não gostar não muda em nada a realidade: a banca tornou-se impermeável às críticas.

O ponto é: ninguém pode depender das anulações!

Pode até ser que anulem alguma coisa na próxima 1ª fase, mas fica difícil projetar isto diante do histórico recente imposto pela atual banca da OAB.

Aqui uma consideração importante: qual é o percentual de candidatos que ficam na faixa dos 37-39 pontos?

Eu estimo que aproximadamente 25% dos reprovados ficam nessa faixa, o que representaria um contingente considerável de candidatos que ficam ali, no quase, batendo na trave.

Agora parem para pensar: o que significa, de verdade, reprovar por apenas um ou dois pontos? O que faltou para se fazer 40 pontos?

Distração em algum momento?

Aquela revisão que deixou de ser feita na véspera?

O esquecimento de um tópico na hora da prova?

O linha divisória entre a aprovação e a reprovação é bastante tênue, e candidatos aptos podem perfeitamente ficar pelo caminho por conta de uma série de variáveis.

O que fazer então para não morrer na praia?

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1 - Aguçar a mente com a resolução de muitos exercícios. Sugiro a leitura do post abaixo:

Lidando com a dificuldade de resolver as questões de múltipla escolha da OAB

2 - Estabelecer desde já critérios de controle emocional. O nervosismo é um grande vilão nestes momentos.

3 - Sugiro também cursos de dicas e resolução de questões, em especial o Projeto UTI 60 Horas e o Super UTI. São muito efetivos nesses casos:

Confiram os cursos CERTOS visando a MELHOR preparação para a prova do XV Exame de Ordem

4 - Foco ABSOLUTO nos estudos nesta reta final. Faltam 2 semanas e 5 dias para a prova e elementos de distração devem ser afastados de forma radical.

5 - Procurem reforçar os estudos nas disciplinas em que vocês apresentam mais dificuldades. Nelas está a chave para se arrancar mais alguns pontinhos. Ficar cavocando onde já existe um domínio de conteúdo não agregará mais valor na hora de resolver a prova.

Fiquem atentos a isto. A dificuldade é real e a banca não tem sido nada indulgente com os examinandos. Certa ou errada, e ela, a banca, que tem o poder de definir tudo.

- Categoria: Como se preparar para a prova

Lidando com a dificuldade de resolver as questões de múltipla escolha da OAB

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Resolver questões de múltipla escolha da OAB é uma etapa fundamental dentro do processo de aprendizagem, tal com há anos eu digo isto aqui no Blog.

Isso porque a resolução de questões exige uma nova abordagem, feita pelo cérebro, em busca das informações necessárias para responder uma determinada questão. A mente evoca o conteúdo, reforçando o trabalho de fixação do conhecimento.

Mas, curiosamente, existe um grupo de candidatos que enfrenta dificuldades em resolver as questões, em especial por conta de limitações ao tentar compreender a proposta da pergunta e sua lógica, em regra prejudicados pela percepção de que não conseguem lidar com as alternativas e não conseguem distinguir entre o certo e o errado.

Aqui um ponto importante: a ambiguidade na produção das respostas!

Por óbvio, a banca tenta induzir o candidato ao erro, e o faz valendo-se da ambiguidade, ou seja, alternativas que possuem muitos sentidos e várias interpretações. Isso é feito de forma deliberada exatamente para confundir o candidato e induzi-lo ao erro.

A resposta, portanto, tende a ser encontrada apenas pelo candidato que domina a questão, e tende a afastar os candidatos que usa apenas a lógica ou não têm convicção absoluta quanto ao conhecimento.

Quando o assunto é o Exame da OAB, essa metodologia funciona na maioria dos casos.

Como enfrentar essa dificuldade?

Vamos teorizar um pouco sobre o processo de preparação e essa dificuldade em específico, e a melhor forma de lidar com esta questão é resolvendo exercícios.

Já abordei este tema um sem-número de vezes aqui: a importância de se resolver exercícios.

E a importância tem três facetas. A primeira e permitir ao candidato se familiarizar com a natureza das questões criadas para o Exame. Ao chegar na prova, o candidato não “estranharia” a abordagem dada pela banca.

A segunda é funcionar como um sistema verificador do conhecimento, ou seja, averiguar exatamente o quanto o candidato sabe. E a terceira e estabelecer um outro “fluxo de reflexão” quando ao conteúdo estudado, e isto tem importante efeito sobre o processo de fixação do conteúdo. A abordagem feita pelo cérebro é uma quando um estudante lê; outra, exigindo uma demanda diferente dos neurônios, quando a pessoa EVOCA o conteúdo lido para responder a uma questão (na leitura o processo é passivo, na resolução de um exercício, ativo). A elaboração de resumos, feitos só de memória, também é um processo relevante e DIFERENTE da mera resolução de um exercício. Esses processos, em conjunto, formam uma estratégia de estudo, ou melhor colocando, uma estratégia de apreensão de conteúdo.

Até aqui, provavelmente, quem tem dificuldade com as questões tem negligenciado a resolução de exercícios, e o tem feito por uma série de fatores, incluindo aí o MEDO em fazer uma avaliação de desempenho e verificar que não está assim tão bem das pernas. Pode parecer estranho mas este medo existe e ataca muitos candidatos.

Nem preciso dizer que chegou a hora de superá-lo…

E aqui faço uma proposta: que os últimos 10 dias antes da prova sejam utilizados para resolução do maior número de questões possíveis. Isso proporcionará ao candidato uma série de vantagens, inclusive uma que ele não espera muito: a compreensão mais abrangente dos TEMAS usados pela banca nas provas.

É inevitável: após resolver umas 10 provas o candidato vai perceber que vários temas são repetidos. Ao chegar na prova poderá esbarrar em questões parecidas com questões anteriores, ou questões cujos matérias foram abordadas anteriormente. Neste caso, a vida fica muito mais fácil.

Ao enfrentar as questões em si o examinando deve ter em mente alguns aspectos relacionados a forma, poderíamos dizer universal, de abordar questões objetivas, seja do Exame de Ordem, vestibular, concursos e por aí vai:

1 – Leitura e compreensão integral do enunciado

Ler a pergunta com pressa pode ser desastroso. Pode não, geralmente é!

Não raro o candidato ACHA que sabe o tema perguntado e parte logo para achar a resposta, ou acha o enunciado difícil e não estabelece uma segunda leitura para compreendê-lo melhor, ou está nervoso e não apreende tudo.

Grande erro.

Regra básica: tenha a certeza do que perguntado.

Estabelecer essa certeza pode demandar mais um pouco de tempo, mas é fundamental para depois se partir em busca da resposta nas alternativas.

Controle a sua pressa, ansiedade ou tensões. Resolver muitas questões ANTES da prova permite o estabelecimento deste controle.

Aqui um ponto importante: a construção da resposta leva em conta este comportamento do candidato.Em regra, ao menos duas alternativas são parecidas entre as quatro ofertadas. A leitura superficial da pergunta, com sua total compreensão de sentido, também em regra conduz o candidato para a alternativa com aspecto de plausível, mas errada como alternativa.

Quem faz as perguntas conhece as fraquezas dos examinandos. Existe toda uma teoria por detrás da construção de provas objetivas e elas são feitas com base em estudos específicos quanto a construção de perguntas.

O erro do candidato foi previamente pensado e trabalho por alguém.

2 – Pensar a resposta antes de ler as alternativas

A leitura das alternativas pode produzir três efeitos: ou o candidato vislumbra a alternativa correta; ou ele fica em dúvida entre duas ou três ou ele se dá conta que não sabe nada.

Se ele não sabe nada, tudo bem, não há dúvida quanto ao problema. Se ele bate o olho e identifica a questão certa, também não há dúvida quanto ao problema, ou este foi resolvido. Mas e se ele fica em dúvida entre duas ou três alternativas, INDUZIDO pela redação destes?

Por isso, em especial para candidatos com dificuldade de resolver questões objetivas, o ideal é pensar na resposta ANTES de ler as alternativas. Isso ajudaria imensamente no processo de decisão e elidiria em parte o surgimento de dúvidas.

Temos aqui, entretanto, uma dificuldade, pois muitos enunciados da prova objetiva são rasos e não permitem a produção antecipada da resposta. São as questões ditas conceituais. Vejam um exemplo:

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Obviamente não dá nem para começar a pensar na resposta. É preciso ler as alternativas para se inferir a resposta correta.

Aqui este método não se aplica.

Por outro lado, temos questões cujo enunciado, rico em informações, permite um reflexão prévia da resposta:

A alternativa certa é a letra B.

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Nem sempre a reflexão prévia poderá ser completa, pois muitas das questões operatórias (em que há um problema a ser resolvido, em regra envolvendo uma situação fática e um questionamento jurídico) são completadas com as alternativas.

Em suma: se a pergunta permitir uma reflexão prévia, faça-a. Do contrário, conforme-se e siga o jogo.

3 – Alternativas obviamente incorretas

Em regra, e isso se aplica a muitos tipos de provas objetivas, ao menos duas alternativas são manifestamente incorretas. Isso se aplica em especial no Exame de Ordem.

O candidato, na leitura das alternativas, deve marcar aquelas que ele julga como incorretas. Isso aumenta a probabilidade de acerto, pois 50% das alternativas foram previamente excluídas.

Repito: no Exame da OAB, em regra, duas das alternativas são manifestamente erradas. Fique atento!

4 – Leia todas as alternativas

Mesmo no caso do candidato ter a certeza de que achou a alternativa correta logo de cara, é muito recomendável a leitura de todas elas, pois a certeza momentânea pode se transformar em dúvida, e a dúvida pode ser pertinente. O examinando não deve se impressionar se “achou” a alternativa correta. Ele deve estar seguro quanto a isto, e ler as alternativa de forma parcial não ajuda nem um pouco neste processo.

É uma dica recheada de obviedade, mas ainda assim tal falha acontece.

Segue uma lista de sites que oferecem simulados online para o treinamento dos conceitos acima. Os sites oferecem as edições antigas do Exame de Ordem para serem resolvidas.

Jurisway

Simulados OAB

Canal Concursar

Tecnolegis

Questões de Concursos

Não deixem de resolver também nossos simulados e algumas provas anteriores da Ordem:

1º Simulado do Portal Exame de Ordem

Gabarito

2º Simulado do Portal Exame de Ordem

Gabarito

Prova Objetiva do XI Exame

Gabarito

Prova Objetiva do XII Exame

Gabarito

Reservem algumas horas por dia somente para resolver questões anteriores. Isso será muitíssimo útil na hora da verdade.

Vejam também:

Faltam 36 dias para a prova do XV Exame: hora de fazer a análise de desempenho!

Após a realização da análise de desempenho: o que estudar neste último mês antes da prova?

- Categoria: Ensino jurídico

XXII Conferência Nacional da OAB: o novo marco regulatório do ensino jurídico, alterações na graduação e as possíveis mudanças no Exame de Ordem em 2015

Na semana passada tivemos a XXII Conferência Nacional dos Advogados Brasileiros, ocorrida na cidade do Rio de Janeiro, e eu estive presente para acompanhar, em especial, o décimo painel da Conferência, cujo tema era “o Ensino Jurídico, Advocacia e Sociedade”. Sua importância está no fato de que ensino jurídico e exame de ordem são temas extremamente próximos e mudanças estão programadas para serem anunciadas em breve, muito provavelmente em novembro.

Como vocês sabem, o CFOAB e o MEC firmaram, em março deste ano, um protocolo que instituiu uma comissão paritária para estabelecer o novo marco regulatório do ensino jurídico no país, visando reestruturar o ensino jurídico. À época, o então ministro da Educação, Aloizio Mercadante, ao assinar um acordo de cooperação para a elaboração de uma nova política regulatória do ensino jurídico no País, afirmou que a medida visava o fim da concessão indiscriminada de autorizações para o funcionamento de cursos de Direito no Brasil. Para ele, o “O balcão está fechado”.

E, de fato, nenhuma autorização foi concedida, e mais de cem pedidos de abertura de novas faculdades foram obstado pelo MEC.

Ao longo do ano passado a OAB promoveu, em todas as seccionais, debates sobre as mudanças a serem implementadas na graduação de Direito, tendo convidado todos os atores envolvidos neste universo. Por fim, em outubro do ano passado, após 31 audiências públicas que reuniram mais de quatro mil pessoas, surgiram as medidas a serem encaminhadas pela OAB ao Ministério da Educação.

Bom Dia Brasil: MEC suspende abertura de cursos de Direito e estuda estágio obrigatório

OAB realizará audiências públicas sobre ensino jurídico em todo o País

Ministro da Educação diz que o Brasil não precisa de mais advogados

Audiência Pública do ensino do Direito reúne grande público na OAB

A Audiência Pública sobre a reforma do ensino jurídico e o Exame de Ordem

Durante o painel, o Novo Marco Regulatório do Ensino Jurídico e os problemas sérios de qualidade no Ensino Jurídico foram os temas tratados pelo Presidente da Comissão Nacional de Educação Jurídica do Conselho Federal da OAB, Eid Badr.

Ele antecipou que 95% das propostas feita pela Ordem foram acatadas pelo MEC, e que o marco seria divulgado em breve, logo após as eleições.

Em sua palestra, o Dr. Badr apresentou quais mudanças foram admitidas e serão implementadas. Vejamos uma a uma na ordem de apresentação durante o evento:

1 – O ENADE passará a ser anual para estudantes de Direito:

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O Exame Nacional de Desempenho de Estudantes (Enade) é regido pela Portaria Normativa nº 40 de 12 de dezembro de 2007, Art. 33-D, o ), integrando o Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior (Sinaes), tem como objetivo aferir o desempenho dos estudantes em relação aos conteúdos programáticos previstos nas diretrizes curriculares do respectivo curso de graduação, e as habilidades e competências em sua formação.

Sua importância é grande para as faculdades, pois ele integra a fórmula usada pelo MEC para renovar a autorização de funcionamento dos cursos. Aliás, o diretores das faculdades de Direito se preocupam mais com o ENADE do que com o desempenho de seus alunos no Exame de Ordem, exatamente porque aquele interfere nas vagas da instituição.

2 – Criação de um instrumento específico para avaliar os cursos de Direito:

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Existe um único instrumento de avaliação dos cursos em geral. A Ordem conseguiu a criação de um específico para os cursos jurídicos.

3 – Necessidade Social para a autorização de oferta de curso:

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A “necessidade social” seria um instrumento para evitar a saturação de cursos em uma determinada região, seguindo critérios demográficos.

De acordo com o Art. 7 da IN nº 01/2008, os critérios de necessidade social são assim definidos:

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4 – Respeito aos direitos trabalhistas dos professores de Direito:

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Essa é uma boa vitória da OAB! Os cursos só terão o reconhecimento, autorização e aumento de vagas autorizados se respeitarem os direitos trabalhistas dos professores de seus cursos.

Não foi explicitado como isso seria comprovado. Possivelmente será objeto de regulamentação posterior por parte do próprio MEC.

5 – Implantação efetiva dos critérios do processo de autorização

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O que isso quer dizer? As IES terão de provar que estruturaram todas as condições pactuadas com o MEC para o reconhecimento ou autorização serem deferidos.

É uma forma de assegurar a efetiva implementação das condições pactuadas com o MEC.

6 – Carga mínima de curso

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A OAB tem calafrios quando falam em reduzir a carga horária do curso de Direito. Isso ficou muito claro na apresentação.

A Ordem, com isso, assegura a manutenção da duração mínima dos cursos de Direito, sem dar margem para flexibilizações.

7 – Aumento da prática simulada e real na graduação

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Com essa alteração a OAB visa aumentar de forma significativa a prática jurídica nas faculdades, em especial com o foco na prática real. Existem relatos de formandos que nunca fizeram sequer um estágio durante a graduação.

A ideia é aumentar esse período de treinamento obrigatório para proporcionar aos estudantes uma vivência real (e simulada também) com o fito de que tanto no Exame de Ordem como após a formatura o desempenho dos jovens advogados na prática seja melhor.

8 – Consideração entre a proporção de estagiários e orientadores:

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A imagem acima é do mesmo slide do tópico anterior, mas com foco em um detalhe que não ficou nítido: o instrumento de avaliação passará a considerar também a proporção entre orientadores e estagiários. O objetivo da OAB é assegurar uma orientação de qualidade, e não apenas a criação de grupos grandes de estagiários com poucos orientadores, o que prejudicaria a prática.

9 – Obrigatoriedade da conciliação e arbitragem na prática das faculdades

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Agora não basta apenas aprender a litigar: será preciso também aprender a conciliar e participar de arbitragens, como forma de estimular a resolução de conflitos em a necessidade de intervenção do judiciário ou, como forma de resolver aslidas de forma mais célere.

A OAB quer mitigar a cultura do litígio.

10 – Novos conteúdos da graduação

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Aqui o ponto que efetivamente interessa ao pessoal do Exame de Ordem!

Eid Badr não disse, explicitamente, quais disciplinas iriam integrar o novo currículo básico da graduação em Direito. Ele apenas antecipou que a mediação, conciliação e arbitragem, além do Direito da Tecnologia fariam parte deste novo currículo.

Isso ainda estaria na dependência da aprovação do CNE – Conselho Nacional de Educação – para ter validade.

Sabemos quais foram as sugestões da OAB, tal como já tratado anteriormente aqui no Blog: Direito Eleitoral, Direito da Tecnologia da Informação, Mediação, Conciliação e Arbitragem, Direito Previdenciário, Direito Humanos e Direito Ambiental. Estes passariam a integrar o eixo de formação profissional do currículo:

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Vamos ver exatamente o que diz a Resolução 9/2004, do CNE, que integra todos os editais do Exame da OAB:

Art. 5º O curso de graduação em Direito deverá contemplar, em seu Projeto Pedagógico e em sua Organização Curricular, conteúdos e atividades que atendam aos seguintes eixos interligados de formação:

I – Eixo de Formação Fundamental, tem por objetivo integrar o estudante no campo, estabelecendo as relações do Direito com outras áreas do saber, abrangendo dentre outros, estudos que envolvam conteúdos essenciais sobre Antropologia, Ciência Política, Economia, Ética, Filosofia, História, Psicologia e Sociologia.

II - Eixo de Formação Profissional, abrangendo, além do enfoque dogmático, o conhecimento e a aplicação, observadas as peculiaridades dos diversos ramos do Direito, de qualquer natureza, estudados sistematicamente e contextualizados segundo a evolução da Ciência do Direito e sua aplicação às mudanças sociais, econômicas, políticas e culturais do Brasil e suas relações internacionais, incluindo-se necessariamente, dentre outros condizentes com o projeto pedagógico, conteúdos essenciais sobre Direito Constitucional, Direito Administrativo, Direito Tributário, Direito Penal, Direito Civil, Direito Empresarial, Direito do Trabalho, Direito Internacional e Direito Processual; e

III – Eixo de Formação Prática, objetiva a integração entre a prática e os conteúdos teóricos desenvolvidos nos demais Eixos, especialmente nas atividades relacionadas com o Estágio Curricular Supervisionado, Trabalho de Curso e Atividades Complementares.

Se for exatamente isto, estas disciplinas então passariam a fazer parte do Exame de Ordem.

Isso já foi aventado pelo presidente da OAB/SP, Marcos da Costa, em uma matéria do Conjur publicada neste ano:

Aos 187 anos, cursos jurídicos terão currículo revisado ainda este ano

“Para Marcos da Costa, a advocacia tem falta de vários profissionais hoje, como especialistas em telecomunicações, contabilidade, óleo e gás, compliance, entre outras. “Os estudantes deveriam ter a oportunidade de escolher uma especialização na faculdade”, diz.

Quanto aos parâmetros de avaliação, o presidente da OAB-SP defende o Exame da Ordem como importante forma de incentivo ao aumento do conhecimento dos profissionais, principalmente pela “imensa” quantidade de cursos no Brasil. “Mas o Exame sempre precisa passar por um processo de rediscussão por causa das várias áreas que estão surgindo e das demandas da sociedade”, aponta.”

Se o conteúdo do Exame envolve as disciplinas profissionalizantes obrigatórias, e novas disciplinas forem introduzidas, isso vai acabar reverberando na prova.

Como eu disse anteriormente, muito provavelmente as mudanças serão anunciadas ainda neste ano, talvez em novembro.

Vamos aguardar!

- Categoria: Como se preparar para a prova, Redes sociais

Como lidar com as novas tecnologias sem perder o foco nos estudos?

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Há algum tempo o site da BBC Brasil publicou uma entrevista com o Dr. Larry Rosen, professor da Universidade Estadual da Califórnia e pesquisador da chamada “psicologia da tecnologia”.

Ele explicou como estamos perdendo a nossa capacidade de concentração por conta do uso das atuais tecnologias de comunicação. Inclusive sua próxima obra, em conjunto com um neurocientista, é sobre exatamente este tema: “The Distracted Mind.”

Pior! O professor explica que não estamos propriamente “viciados” no uso de tablets e smartfones. O vício proporciona alguma forma de prazer como recompensa, mas o uso desses aparelhos e das redes não propociona isso. Nós estamos vivendo em uma espécie de permanente estado de ansiedade.

Confiram a entrevista:

BBC Brasil – Nossa capacidade de concentração está diminuindo?

Larry Rosen – Certamente está cada vez menor, e em diversos níveis. Pesquisas mostram que nossa concentração média é de 3 a 5 minutos antes que acabemos nos distraindo, no estudo ou no trabalho. A maioria dessas distrações são tecnológicas – alertas de mensagem, e-mails etc.

Culturalmente, seguimos essa tendência. Até TV mudou. Em programas de TV dos anos 1980 e 1990, o tempo de cada cena era muito maior do que é nos programas atuais, que se adaptaram à nossa atenção mais curta. Revistas também fazem reportagens cada vez mais curtas.

BBC Brasil – Isso é um problema?

Rosen – Se ficamos trocando de tarefa, nunca passamos tempo o bastante para nos aprofundarmos em nenhuma, e tudo fica superficial. Três minutos certamente não bastam para estudar, por exemplo.
O segundo problema é que, terminada a distração, não voltamos imediatamente à tarefa que interrompemos. Precisamos de um tempo para lembrar onde estávamos. No caso de um livro, temos de reler alguns parágrafos, realocar nosso cérebro.

Em uma pesquisa com estudantes universitários, tiramos seus telefones, os dividimos em três grupos – de uso leve, moderado e extremo – e medimos sua ansiedade.

Os usuários leves tiveram pouca alteração em seus níveis de ansiedade; os moderados rapidamente ficaram ansiosos, até que esses níveis caíram. Mas as pessoas que usavam muito seus smartphones ficavam mais e mais ansiosas. E neste último grupo estavam justamente as crianças e os jovens adultos. Temos de ensiná-los a evitar essa ansiedade.

BBC Brasil – Será um reflexo disso o fato de as pessoas lerem pouco ou não terminarem muitas leituras?

Rosen – Muitas pessoas já não conseguem mais ler integralmente, elas passam o olho. Percebo isso como professor: ao mandar um e-mail aos alunos, que respondem com dúvidas. Mas essas dúvidas estavam respondidas no e-mail original. Daí eles dizem, ‘desculpe, eu só li as primeiras linhas’.

Tudo fica mais superficial, mas também mais estressante. Quanto mais trocamos de tarefas, mais damos para o nosso cérebro monitorar.

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BBC Brasil – Alguns estudos mostram que isso afeta o desempenho de estudantes e profissionais. Há exagero?

Rosen – Em outra pesquisa, assisti a estudantes durante seus estudos. Pedíamos que eles estudassem matérias importantes, para ver como se concentravam. E vimos que eles só conseguiam manter sua atenção por uma média de 3 minutos.

O interessante é que os que conseguiam se concentrar mais tinham notas melhores na escola, e não apenas naquela matéria que estavam estudando. Ou seja, se concentrar melhora o desempenho, na escola, no trabalho e até nos relacionamentos pessoais.

BBC Brasil – Como recuperamos esse poder de concentração?

Rosen – É possível aprender técnicas simples para aumentar a capacidade de focar e não se distrair.
Imaginemos, por exemplo, a hora do jantar de uma família comum. Hoje em dia, todos jantam tendo seus celulares consigo. A sugestão é, no início do jantar, que todos possam checar seus celulares por um ou dois minutos. Mas depois têm de silenciá-los e virar seu visor para baixo, para não ver as mensagens chegando.

Após 15 minutos marcados no relógio, todos recebem permissão para checar o telefone novamente, por um minuto. À medida que a família se acostuma com isso, aumenta-se gradualmente esse período de 15 para 20 e 30 minutos.

E assim cria-se tempo para conversas familiares ininterruptas por 30 minutos, seguido de um minuto para checar o celular. É uma forma de treinar o cérebro a não se distrair, e isso é essencial.

BBC Brasil – É uma reprogramação do cérebro?

Rosen – Você está reprogramando a parte química envolvida no estresse do seu cérebro. Porque o que começamos a ver é: se impedimos as pessoas de checarem seus celulares ou dispositivos tecnológicos, elas ficam ansiosas, (o que produz) alterações químicas.

BBC Brasil – É como um vício?

RosenO engraçado é que não é um vício – se fosse, teríamos sensação de prazer ao checar nosso celular.

E a maioria não está obtendo prazer, apenas tentando reduzir a ansiedade e a sensação de não saber se está perdendo algo (na internet ou nas redes sociais).

BBC Brasil – O que podem fazer os professores que querem recuperar a atenção de seus alunos?

Rosen – Em geral, eles terão de usar a própria tecnologia, seja permitindo que os alunos usem seus próprios dispositivos ou trazendo dispositivos à aula.

Por exemplo, com vídeos curtos, que costumam atrair os estudantes. Aqui nos EUA, algumas escolas particulares também têm usado mais tecnologias, como iPads e Apple TV, na sala de aula. Isso certamente torna a educação mais atraente.

Em escolas que proíbem os aparelhos móveis, os estudantes os levam escondidos e ficam trocando mensagens debaixo da carteira. É melhor, então, que os professores os deixem checar em determinados momentos – por exemplo, a cada meia hora por um ou dois minutos.

Se você veta o uso da tecnologia, os estudantes vão ficar o tempo todo pensando no que estão deixando de ver (no celular), nos comentários que a sua foto no Instagram estará recebendo. E, assim, não vão prestar atenção na aula de qualquer maneira.

BBC Brasil – Você vê alguma vantagem no fato de estarmos fazendo diversas tarefas ao mesmo tempo?

Rosen – Em geral, não – a tentativa de fazer muita coisa junta impacta seus relacionamentos. Se você tenta falar com seu marido ou mulher à noite e cada um está vidrado em seu celular, que conversa vai ter?

Se você está com seus amigos num restaurante, mas fica no celular, que interação fará com eles?
E fico pensando como será quando as pessoas começarem a usar o Google Glass – você vai achar que (seu amigo) está olhando para você, mas ele estará, na verdade, olhando para o que estiver aparecendo nos óculos.

BBC Brasil – Mas tem gente que pode ter uma performance melhor nesse novo ambiente de estímulo constante?

Rosen – Pesquisas mostram que uma parcela bem pequena das pessoas é capaz de funcionar bem nesse tipo de ambiente. Não vi pesquisas de longo prazo a respeito disso, mas imagino que isso seja algo estressante. E no longo prazo isso não é bom para o corpo.

BBC Brasil – As pessoas conseguem definir regras para si mesmas, limitando o próprio uso da tecnologia?

Rosen – Eu costumava enlouquecer com meu feed no Twitter, até decidir checá-lo uma vez só por dia.
Uma das regras que recomendo é: tire seu celular ou notebook do quarto uma hora antes de ir dormir e não se permita checá-los até o dia seguinte.

Hoje, nossos estudos mostram que a maioria dos adolescentes e jovens adultos dorme ao lado dos seus telefones e acorda no meio da noite para checá-los. Isso é péssimo para o seu cérebro, que precisa de blocos longos e consistentes de sono. E também prejudica o aprendizado.

Acho que isso ainda vai piorar, até que as pessoas percebam o efeito negativo sobre sua saúde. E daí começarão a pensar: será que eu realmente preciso checar meu feed de Twitter 20 vezes por dia? Será que realmente preciso estar em sete redes sociais diferentes?

Mas no momento estamos tão empolgados com a tecnologia que somos como crianças em uma loja de doces: queremos experimentar tudo.

Fonte: BBC Brasil

Essa entrevista é terrível, pois revela traços que nem imaginávamos da influência de se permanecer plugado o tempo todo.

Não se trata de vício, e sim de ansiedade.

E todo esse impacto em nossas vidas, em especial de quem estuda, é potencialmene danoso.

Acho interessante colar aqui um texto bem interessante do professor Rogério Neiva sobre a questão da concentração nos estudos:

Como combater a falta de concentração nos estudos

Muitas estratégias terapêuticas são baseadas na compreensão dos fenômenos psicologicamente vivenciados, tendo na tomada de consciência um caminho importante para a neutralização das situações emocionalmente fortes que se busca combater. Napsicologia do comportamento adota-se a lógica da identificação do estímulo positivo ou negativo (S+/-), bem como da reação (R+/-) conseqüente, principalmente para tentar promover a desconstrução da negatividade de estímulos negativos (S-), causadores de reações negativas (R-). A psicanálise, também valorizando a tomada de consciência e compreensão da realidade, atribui um papel muito importante à compreensão das informações inconscientes.

Na aprendizagem, principalmente voltada à preparação para concursos públicos e exames, a compreensão e a tomada de consciência do processo de apropriação intelectual do conhecimento estudado não é menos importante. E esta lógica vale inclusive para atacar a falta de concentração nos estudos.

Assim, diante de situações de dificuldades de concentração, o primeiro passo consiste em entender e não ignorar o que ocorre quando somos atingidos por uma “rajada”, “ataque” ou “onda” de desconcentração ao longo de um turno de estudos, ou mesmo quando isto nos impede de começar a estudar. Ou seja, me refiro às situações nas quais temos uma enorme dificuldade para nos concentrar, tendo aquela desconfortável situação de que ficamos empacados e não avançamos. Você costuma passar por isto?

Diante deste cenário, duas atitudes são fundamentais:

(1) entender a dinâmica do processo em andamento, isto é, o que está acontecendo;

(2) entender os fatores ou causas determinantes para a situação em andamento.

Quanto à dinâmica do processo, se estamos tendo dificuldades para nos concentrar nos  estudos, é porque há um estímulo que está tendo mais relevância do que aquele que gostaríamos que tivesse, sendo que o estímulo preferido corresponde à informação ou objeto de conhecimento a ser estudado. Daí é importante entender que a concentração consiste numa função cognitiva primária, que corresponde a uma lógica de seletividade de estímulos.

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Portanto, concentrar-se significa valorizar alguns estímulos em detrimento de outros. Se quero me concentrar nos estudos, preciso desconsiderar todos os outros estímulos ambientais, tidos por exógenos, como sons e características do local onde estamos, e não ambientais, considerados endógenos, estes envolvendo fatos e lembranças que podem vir à nossa mente naquele momento de estudos.

Se não nos concentramos é porque algo “rouba” a nossa atenção, algo este que não é aquele estímulo que gostaríamos que prendesse a nossa atenção. Este é o processo em andamento, acerca do qual precisamos tomar consciência e compreender.

Superada a compreensão da dinâmica do processo, é preciso entender o que o determina. Ou seja, se estamos passando por uma situação de dificuldade de concentração, o que está por trás disto? Temos duas possibilidades, as quais podem estar ocorrendo de forma concomitante ou não:

(1) o “estímulo-ladrão”, que está tomando a nossa atenção, tem relevância significativa, maior do que o estímulo principal-preferencial que pretendemos valorizar, correspondente ao conhecimento a ser estudado;

(2) mesmo que o “estímulo-ladão” não tenha tanta relevância, não estamos atribuindo a relevância devida ao estímulo-principal-preferencial, ante a nossa falta de interesse.

Costumo dizer que para um fanático por seu time de futebol, numa final de campeonato na qual o time está em campo, sendo a partida o estímulo principal, jamais ocorrerá a segunda hipótese mencionada. Digo isto para provar que o interesse é determinante a atribuição de relevância ao estímulo.

Mas muito bem, agora você já sabe o que acontece quando está tentando estudar e não consegue se concentrar. Porém, esta tomada de consciência, por si só, resolve o problema, nos fazendo ficar concentrados? Obviamente que não! Até porque o diagnóstico não se confunde com o prognóstico. Então daí você pode se perguntar: mas o que fazer? Afinal, qual é o prognóstico?

Seguramente, tendo a devida compreensão, você já pode encontrar estratégias que lhe ajude. Inclusive se tiver alguma sugestão deixe em forma de comentário no final do texto. Masvou pontuar algumas iniciativas que podem ajudar, identificadas a partir da minha vivencia empírica nos estudos, principalmente como candidato a concursos público, bem como por meio da pesquisa psicopedagógica-cognitiva:

1 – no caso da falta de interesse no estímulo principal, ou seja, na matéria a ser estudada, tente identificar o que há de útil neste conhecimento. Seguramente, existe alguma utilidade que vai além do edital. Pense no que pode ganhar ao saber daquela informação. Ainda neste sentido, procure trabalhar o prazer em aprender (clique aqui para ver o texto Preparação para Concursos e o Prazer em Aprender);

2 – seja minimamente flexível! Isto é, se está muito difícil se concentrar naquela matéria a ser estudada por determinada fonte, passe para outra matéria ou fonte, faça alguns exercícios, faça um resumo, esquema ou mapa mental da matéria estudada anteriormente, ou seja, faça uma revisão do que já estudou, inclusive enquanto estratégia para retomar o ritmo;

3 – compreenda de forma fragmentada o que irá estudar, do tipo “agora minha meta é estudar e entender este parágrafo”, ou “esta página, este item, este capítulo, este tema…”.Encare um, para depois passar ao outro. Avance por partes, esqueça o todo e estude  o que tiver que estudar de forma fragmentada. E não deixe de ler o texto a Fragmentação do Plano de Estudos (clique aqui para ler o texto Repercussões Emocionais da Fragmentação do Plano de Estudos);

4 – tenha força de vontade! Esta colocação pode parecer autoajuda enlatada e superficial para concursos, mas a questão é como fazer para ter força de vontade? Neste sentido, é preciso que entenda que você conta com estruturas bio-cognitivas capazes de selecionar estímulos de forma voluntária, ou seja, estou dizendo para acreditar que é capaz não por uma questão de fé, mas pelo fato de que, neuro-bio-fisiologicamente, você tem um equipamento cognitivo que lhe permite isto. Repito: você tem um cérebro e estruturas cognitivas que lhe permite selecionar e descartar estímulos relevantes. Você pode! Isto é uma afirmação racional e científica! Portanto, lute! Lute com o que você tem! Lembre-se que na partida da final do campeonato, na qual seu time está jogando, você consegue selecionar o estímulo principal. Portanto, também pode fazer isto ao estudar!

5 – trabalhe com a respiração; pare por alguns minutos, não mais do que 5, feche os olhos e respire de forma profunda e pausada, da maneira mais profunda e pausada que puder;

Além destas sugestões, compreendendo e tendo consciência do processo relacionado à falta de concentração, tente identificar outras estratégias adequadas ao seu perfil. E reitero o pedido para deixar as sugestões em forma de comentário!

Alerto ainda que, para as pessoas diagnosticadas como portadoras de TDAH ou DDA, existem outros caminhos a serem adotados, inclusive com intervenção medicamentosa. Mas é preciso buscar a atuação de profissionais autorizados, tanto para o diagnóstico, quanto para o prognóstico, intervenção e principalmente o uso da medicação. E se não tem as referidas patologias, não se iluda com o uso da ritalina (clique aqui para ler texto sobre a Ilusão da Ritalina).

Por fim, bom combate às rajadas de desconcentração e bom estudo!

Fonte: Blog do professor Rogério Neiva

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Promoção Nocaute foi PRORROGADA!