Maurício Gieseler

Maurício Gieseler

Advogado em Brasília (DF), este blog é focado nas questões que envolvem o Exame Nacional da OAB, divulgando informações e matérias atualizadas, além de editoriais, artigos de opinião e manifestações que dizem respeito ao tema. Colocamos, também, a disposição de nossos visitantes provas, gabaritos, dicas, análises críticas, sugestões e orientações para quem pretende enfrentar o certame. Tudo sobre o Exame de Ordem você encontra aqui.

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- Categoria: Como se preparar para a prova

Como começar a estudar para o próximo Exame de Ordem?

Recebi um e-mail de uma leitora cuja resposta mereceria ser coletiva e não individualizada. Com a devida autorização da remetente, reproduzo aqui seus questionamentos.

De: Adriana
Assunto: Exame 2010.3

Mensagem:

Maurício, você tem uma previsão da data do próximo exame?

Gostaria de um conselho, e tenho até vergonha de pedir, mas, vamos lá…

Cursei a faculdade meio que de qualquer jeito, entao estou super despreparada, sem saber por onde começar, para onde ir.

Não consigo fazer cursinho porque tenho uma filhinha de 1 ano, e nao tenho com quem deixa-la à noite, pois trabalho o dia todo.

Comprei uma coleção, do exame da ordem da editora método, e fico sempre na dúvida de como estudar, do que estudar, por onde começar, qual matéria tentar para a segunda fase???????

Sei que eu é que tenho que descobrir isso, mas gostaria de uma orientação sua.

Desde já agradeço a sua atenção e obrigada por tudo, pois sempre acompanho você,

um abraço,

Adriana.

Bom Adriana, vou responder de forma pontual para facilitar a compreensão do raciocínio.

1 – Mauricio, você tem uma previsão da data do próximo exame?

Não. Pela lógica das datas é provável que a próxima prova seja no final de janeiro ou início de fevereiro, antes do carnaval. Mas sem a publicação do edital não dá para falar em datas.

2 – Gostaria de um conselho, e tenho até vergonha de pedir, mas, vamos lá…

O Blog está aqui para isso!!

3 – Cursei a faculdade meio que de qualquer jeito, entao estou super despreparada, sem saber por onde começar, para onde ir.

É bastante interessante sua auto-percepção. Reconhecer que tem limitações e deficiências na sua formação acadêmica é uma importante etapa para trilhar o caminho correto.

Quanto a saber por onde começar, o primeiro passo certamente é o de delimitar com clareza as suas deficiências. O quanto você não sabe? Quais carências são as mais acentuadas?

Essa compreensão é fundamental para traçar um plano de estudos.

Como identificar as limitações?

O ideal é resolver provas anteriores, não só do Exame de Ordem como também de concursos, anotar quantas questões de cada disciplina você resolveu e quais foram os percentuais de acerto.

Tem um site chamado Questões de Concursos que permite ao seu usuário resolver questões por disciplinas, estruturando uma série de filtros para delimitar o campo que se quer estudar.

É uma boa pedida para fazer uma avaliação do seu conhecimento.

Neste ponto é bom ressaltar que eventual futura preparação não deve ser iniciada de qualquer jeito, pegando os livros de forma desordenada. Primeiro faça um mapeamento do que efetivamente sabe, organize seu material e estabeleça prioridades no estudo.

4 – Não consigo fazer cursinho porque tenho uma filhinha de 1 ano, e não tenho com quem deixa-la à noite, pois trabalho o dia todo.

Fazer um cursinho não é indispensável. Os cursos preparatórios, na verdade, são instrumentos de ensino em face das deficiências dos egressos das faculdades, principalmente daqueles advindos de instituições privadas. Eles preenchem uma lacuna que não deveria existir.

De toda forma, se o futuro candidato do Exame de Ordem fez uma boa faculdade, e tem ciência disso, não precisa fazer um cursinho. Claro! Os cursos não só ensinam o Direito, mas o fazem voltado para as especificidades do Exame, abordando os conteúdos mais exigidos e dando importantes dicas para a resolução da prova. Esse é um fator relevante para quem opta por fazer um cursinho.

Em suma: Um bom curso ajuda, e muito, na luta pela aprovação. Mas não é indispensável.

Aqui também há a questão da gestão do tempo.

As pessoas que têm filhos pequenos sabem como eles absorvem a atenção e o tempo disponível para estudar, e isso dificulta muito na preparação para qualquer concurso.

Especificamente para o Exame, eu creio que o candidato deve conseguir estudar um mínimo de 3 horas por dia por pelo menos 90 dias. Comparado com os concursos públicos não é muito tempo, inclusive porque o Exame não possui concorrência e nem nota de corte, afora a necessidade de se fazer os 50 pontos na 1ª fase e 6,0 pontos na 2ª. Esse volume de tempo é o suficiente para se estudar.

Mas…

Se você tem a percepção de deficiências de apreendizado após concluir a faculdade a assertiva acima pode se revelar falsa.

Na verdade não existe uma regra de tempo de estudo padrão para chegar ao ponto de se estar efetivamente preparado; cada candidato tem seu próprio momento e tempo para estar efetivamente preparado.

E aqui surge uma armadilha.

Não raro recebo e-mails de candidatos que já tentaram passar no Exame em 3 ou 4 oportunidades e não conseguem lograr sucesso. Tentam, tentam e não conseguem entender o porquê de colherem sucessivos insucessos, o que mina a força de vontade e a auto-estima.

Primeiro é preciso planejar o estudo e determinar a quantidade de tempo necessário para se atingir um objetivo em termos de conhecimentos adquiridos, mensurado a partir da resolução bem sucedida de um percentual pré-determinado de exercícios (acima de 60% de acertos é o mínimo)

A armadilha é o candidato achar que o intervalo entre uma prova e outra é o suficiente para estudar e conseguir ser aprovado. Três ou quatro meses podem não ser o bastante para apreender o conteúdo necessário exigido durante as provas da Ordem.

Então, seu foco deve não ser a prova em si, e sim um patamar de conhecimento suficiente e necessário para lhe dar a convicção de que seu desempenho em uma futura prova será útil, ou seja, você logrará a aprovação.

Saliento o detalhe: A meta não é a aprovação, a meta é a preparação. São coisas distintas, e isso faz muita diferença.

Afora planejar, também é preciso monitorar e controlar os estudos. O quanto foi estudado? O quanto foi aprendido? Por quanto tempo você consegue manter o conhecimento apreendido para disponibilizá-lo a qualquer momento? Quando você precisa revisar o conteúdo para mantê-lo?

O grande X da questão é que todo mundo estuda “de orelhada”. Não recebemos uma educação formal sobre como se estudar, quais os processos devem ser utilizados para se aprender. E essa carência cobra um preço, cedo ou tarde.

O que sabemos como se preparar resulta na maior parte das vezes de processos empíricos, de tentativas, erros e acertos, sem uma doutrina específica e técnicas adequadas.

Até como sugestão eu aconselho a se comprar um livro de metapreparação para os estudos. Livros como o do Rogério Neiva, Willian Douglas, entre outros autores, podem ser úteis para o candidato.

Eu sugiro especialmente o livro do Dr. Rogério Neiva, pois este me agrada muito, mas isso vai de cada um.

5 - Comprei uma coleção, do exame da ordem da editora método, e fico sempre na dúvida de como estudar, do que estudar, por onde começar, qual matéria tentar para a segunda fase???????

Começando pelo fim, a melhor forma de escolher uma disciplina para a 2ª fase é resolvendo provas subjetivas de Exames anteriores. Só assim para se fazer uma escolha sensata. A disciplina mais confortável para você deve ser a escolhida.

Como começar e o que estudar…

O ideal é estudar alternando as disciplinas, uma a uma, estudando um tópico de cada por vez. Mas como o Exame é uma prova com suas peculiaridades, esse sistema talvez não seja o mais adequado.

Os livros voltados para a OAB, tal como a da coleção da Método, muito boa por sinal, são livros com um conteúdo mais limitado, já concebidos para o Exame de Ordem. Em 3 ou 4 dias e é possível ler uma obra dessa por inteiro, não só fazendo pequenas anotações como conferindo a legislação com a doutrina.

E aqui temos um ponto relevante: A prova da OAB mudou sob a batuta da FGV.

A última prova foi bem diferente do que vinha sendo exigido pelo Cespe, com a demanda bem maior do raciocínio jurídico do que do decoreba. O melhor estudo, sob este novo perfil, é realmente priorizar a doutrina, sem, entretanto, menosprezar a lei seca, que deve sempre ser usada para reforçar o que o autor escreveu em sua obra, ajudando o estudante a consolidar o conhecimento.

Um sistema de estudo que posso recomendar, sem no entanto pretender excluir nenhum outro ou considerá-lo o melhor, é o seguinte:

1 – Ler a doutrina (o livro da método, no caso) acompanhado da legislação correlata. Ao término da matéria, resolver umas 150 questões seguidas exclusivamente daquela disciplina;

2 – Elaborar pequenos resumos ao término de cada tópico do livro que está sendo estudado – Ajuda a reforçar a fixação do conteúdo;

3 – Guardar pelo menos um dia da semana para revisar tudo o que foi estudado na semana, e resolver mais exercícios.

Dentro do processo de estudos para o Exame de Ordem, eu não tenho dúvidas em afirmar que resolver exercícios é uma etapa fundamental.

Apesar de não existirem questões no mesmo formato que a da última prova objetiva, o candidato pode, e deve, resolver outras questões da FGV, do CESPE, e de outras organizadoras, não só relativas a Exames passados como também de outros concursos, especialmente de técnicos e analistas judiciários, para incrementar o raciocínio face aos enunciados e, naturalmente, reforçar o conteúdo doutrinário e legal estudado.

Notem que o processo não pode ser trabalhado de forma estanque – Você deve se inteirar da doutrina, confrontá-la com a lei, elaborar resumos e resolver exercícios. Essas etapas, distintas entre si, mas consideradas como um processo global, certamente produzirão bons resultados como método de aprendizagem.

Não incorra no erro de optar por apenas uma dessas abordagens em detrimento das demais. Pode ser que um candidato tenha sido aprovado apenas escolhendo uma sistemática, mas é muito provável que isso represente uma exceção, e não a regra.

6 – Sei que eu é que tenho que descobrir isso, mas gostaria de uma orientação sua.

Desde já agradeço a sua atenção e obrigada por tudo, pois sempre acompanho você,

Você está errada quanto a ter de descobrir o caminho sozinha. Aliás, esse é o erro de muita gente, e, até bem pouco tempo, era meu erro também.

Tomar conhecimento de metodologias, técnicas e sistemas de estudo deve ser uma atividade deliberada de qualquer estudante visando se preparar para qualquer concurso.

Hoje, com a internet, dá para se inteirar de muita coisa – Basta pesquisar um pouco.

Procurar outros estudantes, concurseiros, sites, livros, DVD’s e o que mais existir ajuda, e muito, a afastar falsas percepções e ideias errôneas.

Ficar “ligado” no que acontece só pode ocorrer, em boa parte, se você buscar pessoas e ambientes colaborativos. Mais na frente, se você quiser ser uma concurseira, terá os seus rivais, mas no fundo o único rival de um candidato, para qualquer coisa, é si mesmo. Quem estuda, e estuda bem, com qualidade, supera os desafios.

Aproveite então para comprar uma chupeta nova para a sua filhinha e bons estudos!

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