Maurício Gieseler

Maurício Gieseler

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- Categoria: Cespe, Recursos para prova subjetiva

Como o Cespe corrige as provas subjetivas

Etapas importantes em concursos públicos e processos seletivos, as provas discursivas e de redação costumam deixar muitos candidatos apreensivos, pois exige a elaboração de respostas, diferentemente das provas objetivas. Por não terem uma resposta totalmente definida, a correção desses exames segue critérios mais abrangentes do que os utilizados para a correção das provas objetivas. Ao longo dos anos, o Cespe/UnB vem investindo em tecnologias e métodos que possibilitam maior objetividade nas correções.

Em geral, as provas discursivas são elaboradas para avaliar a capacidade de escrita do candidato e o domínio do assunto questionado. “Fazemos as provas de acordo com o perfil do cargo vago que se pretende ocupar. Em geral, em uma prova discursiva busca-se aferir não somente o domínio do conteúdo, mas também a capacidade de articulação de raciocínio e de expressão do candidato”, explica o assessor de Planejamento do Cespe/UnB, Marcus Vinícius Soares. Ele acrescenta que o candidato não precisa temer a prova, mas é preciso estar preparado.

Para julgar o desempenho do candidato em provas discursivas e redações, desde 1997, o Cespe/ UnB vem aperfeiçoando um sistema eletrônico criado pela própria instituição para a correção on line desses tipos de exames, que até então eram corrigidos manualmente. Os critérios de correção são elaborados de acordo com o tipo de prova e de modo a possibilitar maior objetividade na atribuição de nota ao texto apresentado. “Os corretores devem se basear na planilha de correção definida para aquela prova. Para isso, eles recebem treinamento específico para cada exame”, explica a responsável pela Coordenadoria de Pesquisa em Avaliação do Cespe/ UnB, Girlene Ribeiro de Jesus.

Como funciona

O sistema utilizado pelo Centro para a correção e provas discursivas e redações permite que os textos sejam avaliados na tela do computador, o que possibilita o acesso de corretores localizados em qualquer unidade da Federação, desde que seja feito a partir de locais pré-definidos que tenham acesso à internet. “A correção é mais rápida e segura, pois há um controle maior da forma como as provas são corrigidas. Além disso, é um processo ecologicamente correto, porque evita o uso de papéis”, reforça Girlene de Jesus.

Para que possam ser corrigidas, as provas são digitalizadas e desidentificadas, ou seja, os nomes dos candidatos são suprimidos das folhas e eles passam a ser identificados por um código. Assim, os corretores não ficam sabendo quem são os autores dos textos, o que garante a isonomia na correção. Após a digitalização, os textos são colocados no sistema, acessados por meio de um sistema seguro de login e senha e analisados de acordo com a planilha de correção definida pela banca. “Nessa planilha, estão especificados os critérios a serem analisados. Cada item marcado pelo corretor contabiliza os pontos obtidos pelo candidato e atribui a nota que ele receberá”, comenta a consultora em Língua Portuguesa do Cespe/UnB, Poliana Alves.

O sistema permite ainda que os corretores sejam monitorados de forma virtual, em que é possível verificar a hora em que acessaram o sistema, quanto tempo utilizaram em cada prova e as notas atribuídas.

Como era antes

Antes da implantação do Sistema de Correção de Provas Discursivas, os textos dos candidatos eram copiados e distribuídos aos corretores. Estes, analisavam o texto e marcavam a pontuação em uma planilha, também em papel, que depois passava por leitura ótica para um sistema eletrônico, que calculava a nota. Por esse método, todos os professores tinham de estar no mesmo local para a correção.

O primeiro esboço do que é hoje o Sistema de Correção de Provas Discursivas começou a ser utilizado na correção das redações dos vestibulares da Universidade de Brasília. Ao longo dos anos, ele foi atualizado e hoje é usado na correção das provas discursivas e redações aplicadas pelo Cespe/UnB.

Avanços

Em 2009, novos procedimentos de acompanhamento das correções foram desenvolvidos e aplicados na correção das redações do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Todo o processo foi acompanhado em tempo real por supervisores e coordenadores, que verificavam se o corretor estava analisando a prova de acordo com o que foi definido no treinamento recebido. “Se houvesse desvios do padrão de correção, os corretores eram contatados pelos supervisores, que verificavam o que estava havendo”, revela Girlene de Jesus.

Para garantir a qualidade e o cumprimento do padrão de correção, o Cespe/UnB desenvolveu metodologias baseadas em pesquisas realizadas durante o treinamento dos corretores, o que resultou em testes aplicados à banca. Um exemplo foi a utilização da “redação nota 10” no processo de correção das re-dações do Enem 2009. Um texto considerado excelente pelo Centro, e que obedecia a todos os critérios exigidos dos candidatos, era enviado aos corretores de forma aleatória. Caso fosse atribuída uma nota abaixo do que era esperado para a redação, o corretor era contatado.

“Com isso, nós poderíamos verificar se o corretor estava seguindo os padrões de correção conforme as orientações recebidas”, destaca Poliana Alves. Outro exemplo é o envio da mesma redação várias vezes aos corretores, para verificar se eles confirmam as notas atribuídas ao texto nas outras ocasiões. Além desses, outros testes são aplicados durante o processo de correção, que são mantidos em sigilo para garantir a eficácia. Poliana Alves explica que um procedimento foi obrigatório: “Todas as redações do nem passaram por duas correções. Quando houve divergências entre elas, a prova foi analisada por um terceiro corretor”, enfatiza.

A ideia agora é que os avanços no acompanhamento e avaliação da correção, conquistados no processo do Enem 2009, sejam aperfeiçoados e implantados em outros eventos – concursos, seleções e avaliações educacionais realizados pelo Cespe/UnB. “Queremos ter instrumentos específicos para todas as provas discursivas utilizados em outros processos”, explica o professor responsável pela área de Provas Práticas, Luiz Mário Couto. Outra vantagem do sistema é a capacidade de suportar o acesso de muitos corretores simultaneamente, evitando falhas na transmissão das informações. O responsável pela Coordenadoria de Tecnologia do Cespe/UnB, Jorge Amorim Vaz, afirma que o sistema possui uma capacidade de transmissão de dados que pode chegar a 100 megabytes. “Em eventos como o Enem 2009, que teve mais de dois milhões de candidatos e exigiu muitos corretores, foram utilizados 42 megabytes do total da nossa capacidade. Assim, o sistema consegue suportar com tranquilidade o acesso simultâneo dos corretores”, diz.

Tipos de provas discursivas

Em concursos públicos, é comum que as provas discursivas sejam aplicadas em fase específica, após a realização das provas objetivas. No caso de avaliações e seleções como vestibular, Programa de Avaliação Seriada (PAS) e avaliações educacionais, as provas escritas – como também são conhecidas – e objetivas ocorrem na mesma data.

O tipo de prova discursiva exigida em um concurso público depende de alguns fatores como a natureza do cargo a ser desempenhado e o tipo de conhecimento que o órgão contratante requer do candidato. Os principais são:

- Redação

    Geralmente exigida em seleções – como vestibular e PAS – e em avaliações educacionais. Nesse tipo de prova é exigido que o candidato elabore um texto sobre o tema proposto em um espaço de até 30 linhas.

    - Peça Técnica Jurídica

      Costuma ser exigida em concursos para cargos de Procurador, Promotor de Justiça, Advogado e Juiz Substituto. No espaço para resposta, que varia geralmente de 90 a 180 linhas, o candidato deve escrever uma peça judicial abrangendo informações de um texto proposto.

      - Projeto

        Exigido em concursos para a área de tecnologia, esse tipo de prova combina a redação de um texto com gráficos, em um espaço médio de 45 linhas, em que o candidato deve apresentar um projeto a ser desenvolvido no órgão, conforme o que é solicitado na questão.

        - Questões diretas com foco específico

          Normalmente utilizada em concurso público de nível superior, em áreas diversas. Nesse tipo de prova, o comando da pergunta especifica quais aspectos o candidato deverá abordar na resposta. Para isso, o candidato tem um espaço de cerca de 20 linhas.

          - Questões curtas diretas

            Geralmente utilizadas em avaliações educacionais – a exemplo do Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (Enade) – e de acesso à Universidade – como as transferências facultativas. Nesse tipo de prova, as perguntas são diretas e o candidato tem de 5 a 15 linhas para elaborar sua resposta.

            - Peça Técnica em Auditoria

              Essa prova costuma ser exigida em concursos de Tribunais de Contas nas áreas de Administração, Contabilidade, Economia, Finanças. Na prova, os candidatos deverão responder as questões aliando conhecimentos teóricos e aplicados ao campo da auditoria. Para isso, o espaço disponível é de 30 a 40 linhas.

              Saiba mais

              - As máquinas de scanner do Cespe/UnB têm capacidade de digitalizar até 30 mil páginas de textos por hora.

              - Em geral, a formação da banca de corretores do Cespe/UnB é feita de acordo com o tipo de prova aplicada. Para redações, é obrigatório que os corretores sejam professores de língua portuguesa.

              - Na correção das redações do Enem 2009 participaram 3.600 corretores, que avaliaram mais de dois milhões de textos em menos de 30 dias.

              - Não se tem notícias de outra organizadora de concursos e seleções no Brasil que utilize um sistema eletrônico para corrigir provas discursivas.

                Autora: Ciléia Pontes

                Fonte: CESPE/UnB

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