Maurício Gieseler

Maurício Gieseler

Advogado em Brasília (DF), este blog é focado nas questões que envolvem o Exame Nacional da OAB, divulgando informações e matérias atualizadas, além de editoriais, artigos de opinião e manifestações que dizem respeito ao tema. Colocamos, também, a disposição de nossos visitantes provas, gabaritos, dicas, análises críticas, sugestões e orientações para quem pretende enfrentar o certame. Tudo sobre o Exame de Ordem você encontra aqui.

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- Categoria: Como se preparar para a prova, Cursos do Portal, Simulados

Simulados online de questões objetivas da OAB

multiplaEscolha

A prova da 1ª fase está chegando e vocês precisam afiar o treino na resolução de questões, e um treino online facilita esse processo!

Cronograma EMERGENCIAL de estudos para a 1ª fase do XV Exame de Ordem

Segue uma lista de sites que oferecem simulados online para vocês treinarem visando a próxima prova objetiva:

Jurisway

Simulados OAB

Tecnolegis

Questões de Concursos

A resolução de exercícios é uma etapa fundamental no processo de preparação. Não deixem de resolvê-los!

Falando nisto, temos um curso específico para a resolução de questões!

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Resolver questões talvez seja a sistemática mais efetiva para evocar um conhecimento previamente assimilado e fixá-lo, através da experiência prática, com mais intensidade na memória.

No livro The Little Book of Talent: 52 Tips for Improving Your Skills, o autor, Daniel Coyle, chega a conclusão de que para aprender não se pode permanecer “apático”. A leitura é um processo passivo, você só deixa as palavras entrarem no seu cérebro. Para fixar, de fato, um conteúdo é necessário transformar o processo da leitura em algo ativo.

Por que fazer o nosso Curso de Resolução de Questões?

Vamos partir da premissa de que a 1ª fase do Exame de Ordem é o grande filtro, o momento em que a OAB faz o maior corte entre os candidatos inscritos.

Uma forma de fugir das estatísticas negativas e lograr a aprovação no Exame é buscar a melhor preparação. Aliás, afirmar isso beira a ingenuidade. Se preparar muito é a premissa básica para se maximizar as probabilidades de aprovação.

Um estudo publicado em janeiro de 2013 na revista científica Psychological Science in the Public Interest mensurou quas seriam as melhores técnicas de estudo entre aquelas que são mais comuns entre os estudantes. A conclusão é que a resolução de exercícios encontra-se no mais elevado grau de eficiência, sendo até duas vezes mais eficiente em comparação com outras técnicas de aprendizagem.

Em suma: o processo de estudo não pode ser trabalhado de forma estanque – o estudante deve se inteirar da doutrina, confrontá-la com a lei, elaborar resumos e resolver exercícios. Essas etapas, distintas entre si, mas consideradas como um processo global, certamente produzirão ótimos resultados como método de aprendizagem.

Eis então a razão para vocês fazerem o nosso Curso de Resolução de Questões para o XV Exame de Ordem.

Resolver questões, compreendê-las, praticar a lógica dos enunciados estão compreendidos dentro de um processo ativo, e, como tal, o examinando consegue estabelecer “pontes” de fixação do conteúdo estudado e maximiza seu aprendizado.

Esse é a lógica do curso.

Seguindo este perfil, assistir a aula (processo passivo), fazer anotações (processo ativo), compreender a lógica dos enunciados (processo passivo), resolver questões (processo ativo) formam um sistema de estudo capaz de proporcionar um aprendizado com significativo poder de retenção do conteúdo exigido no Exame de Ordem. e, somado com outras metodologias de estudo (leitura, por exemplo) preparam de forma intensa o candidato para a prova da 1ª fase.

Curso de Resolução de Questões representa uma variação da abordagem geral dos estudos, juntando processos ativos e passivos de estudo. Ao ver uma aula ou ler o livro, o candidato toma contato com a informação, a resolver um exercício, ou compreender como uma questão deve ser respondida, ele utiliza uma outra abordagem, outra faceta, ao mesmo expositiva do conteúdo previamente estudado como também fixadora da matéria, seja no acerto, manifestação de compressão do conteúdo, seja no erro, revelador das deficiências no aprendizado.

Portanto, não só o candidato deve começar a se preparar o quanto antes como também deve valer-se de abordagens distintas sobre o conteúdo, visando sedimentar o conhecimento necessário para resolver a prova.

O objetivo do curso é revisar através da resolução de questões o conteúdo para o XV Unificado abordando o material da banca FGV (do Exame de Ordem e de concursos também!) proporcionando ao aluno a revisão de pontos relevantes do conteúdo programático e a familiarização com as provas da Fundação.

Serão gravados 42 encontros, de aproximadamente 2 (duas) horas cada.

Valor do investimento: R$ 295,73

Cliquem no link a seguir para mais detalhes sobre o curso - CURSO DE RESOLUÇÃO DE QUESTÕES.

- Categoria: Advocacia

“A lei de mercado não pode ser a lei da selva”, ou, “pode a OAB salvar os advogados de honorários pífios?”

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Ano passado escrevi um post sobre o atual contexto da remuneração dos jovens advogados e a crise instalada na advocacia:

O fundo do poço: a realidade de um mercado em que um advogado recebe R$ 20,00 para fazer uma audiência

O texto ganhou uma grande repercussão pois este quadro é absolutamente aviltante para a classe como um todo e para qualquer profissional. Tudo resultado de uma série de fatores que, uma vez somados, convergem para o atual estado de precarização.

Neste final de semana o Conjur publicou uma entrevista com presidente da OAB, Dr. Marcus Vinícius Furtado Coelho, abordando uma série de questões de interessa da advocacia (vejam a entrevista completa AQUI), e, entre elas, a questão dos salários aviltantes.

Vou reproduzir só este trecho e, posteriormente, fazer algumas considerações:

ConJur — No que diz respeito aos honorários contratuais, qual é a proposta?

Marcus Vinicius — Que se respeite a liberdade contratual do advogado com o poder público, para que não haja qualquer tipo de tentativa de criminalização da advocacia. Isso é o princípio que nós temos na própria lei de licitação: o advogado deve ser qualificado pela inexigibilidade de licitação como é fixado por súmula do Conselho Federal da OAB. Essa matéria está em tramitação no Supremo Tribunal Federal, o ministro Dias Toffoli é o relator e já pediu inclusão do caso na pauta, estamos aguardando apenas o dia do julgamento. Ganhamos recentemente no Tribunal Superior do Trabalho o direito de o advogado ser contratado pelo sindicato de forma livre. O Ministério Público do Trabalho havia questionado a contratação dos advogados por sindicatos e o TST definiu que essa matéria é de relação privada, de direito disponível. Ora, a Constituição assegura aos sindicatos o poder de substituir processualmente os seus associados. Do ponto de vista dos honorários contratuais também estamos muito preocupado com o fenômeno, que é o fenômeno do aviltamento de empresas privadas na contratação de escritórios de advocacia. Fixa por processo judicial/mês o valor de R$ 14. O escritório que pratica este valor é obrigado, na ponta, a pagar valores aviltantes ao advogado, que é chamado “pautista”. É o advogado que vai fazer uma pauta, que vai fazer uma audiência. A origem do problema está lá na contratação.

ConJur — Qual é a possível atuação especifica para isso? Qualquer pessoa que vá a um juizado especial vê o preposto ou o advogado da empresa ganhando R$ 25 para simplesmente comparecer, sem acrescentar nada às audiências.

Marcus Vinicius — Essa é uma matéria muito sensível, porque obviamente há a lei de mercado. Mas a lei de mercado não pode ser a lei da selva. O mínimo da dignidade profissional tem que ser respeitada. Há quem defenda, no âmbito da discussão do novo Código de Ética do advogado, a possibilidade de se constituir o tipo de falta ética que é a prática de honorários aviltantes. E nós temos a campanha de valorização do jovem advogado, que defende o piso do advogado. Em 11 estados do Brasil, as secionais da OAB já conseguiram o piso por lei estadual.

ConJur — Em números absolutos, nós estamos falando de quanto, em média?

Marcus Vinicius — Os estados fixam pelo menos R$ 2 mil. Porque há infelizmente escritórios que pagam ao advogado menos do que pagam a funcionários do escritório que não têm nível superior. Há a possibilidade de lançarmos a campanha “Escritório Legal”, que é o escritório que cumpre com o piso para divulgar ser um elemento do bom conceito. Nós defendemos também o piso para o professor de Direito. Um dos problemas da falta de qualidade de boa parte das faculdades de Direito é que a faculdade finge que paga o professor, o professor finge que ensina o aluno e o aluno finge que aprende. E isso repercute depois na má aprovação no Exame de Ordem e no não ingresso na profissão da advocacia.

A frase mais interessante deste trecho da entrevista foi esta: “Mas a lei de mercado não pode ser a lei da selva.”

Dela deriva uma pergunta significativa: por que não?

Em economia, a Lei da Oferta e Procura é a lei que estabelece a relação entre a demanda de um produto – isto é, a procura – e a quantidade que é oferecida, a oferta. A partir dela, é possível descrever o comportamento predominante dos consumidores na aquisição de bens e serviços em determinados períodos, em função de quantidades e preços.

Se a oferta de determinado produto (ou serviço) excede muito à procura, o preço tende a cair. Ou seja: como a oferta de serviços advocatícios está em alta (muitos profissionais no mercado), bem acima do número de demandas, o valor a ser pago como contraprestação tende a cair. Por isso as remunerações aviltantes ofertadas aos jovens advogados.

Do contrário, obviamente, se a oferta do serviço cai, o valor a ser pago tende a aumentar.

Assim funciona o mercado.

Então, quando falamos de aviltamento de honorários, temos na realidade um reflexo da constituição do próprio mercado, saturado em função da explosão do número de faculdades de Direito nos últimos 20 anos. O aviltamento é um desdobramento natural da expansão educacional feita sem critério algum para beneficiar poucos grupos econômicos.

O presidente da OAB projeta, de alguma forma, interferir no mercado para, de alguma forma, modificar a forma como as relações contratuais ocorrem e assim alterar o quadro remuneratório.

Seria então a constituição do chamado mercado imperfeito.

Imperfeito porque demanda uma interferência regulatória para manter sua operacionalidade dentro de padrões pretendidos. Hoje o mercado já é imperfeito, pois várias seccionais conseguiram instituir em suas unidades da federação um piso salarial para jovens advogados. Mas, mesmo assim, o aviltamento continua.

Em contrapartida, um mercado perfeito dispensa dispensa intervenções regulatórias, pois há um equilíbrio entre a oferta e a demanda. Não o caso da advocacia, como está claro.

A pergunta é: tem como a lei de mercado deixar de ser a lei da selva?

Esse é um belo desafio!

E a resposta eu dei ano passado no post O fundo do poço: a realidade de um mercado em que um advogado recebe R$ 20,00 para fazer uma audiência. Vou reproduzi-la aqui

Não que eu despreze o trabalho da entidade ou as boas intenções que visem mitigar essa realidade, mas eu acredito piamente que a questão é absolutamente INSOLÚVEL.

E o é por motivos óbvios.

Primeiro porque tratam-se de relações privadas, e a Ordem só pode tomar alguma providência se a parte explorada fizer uma denúncia. De outra forma, a entidade não tem como controlar as múltiplas relações contratuais que ocorrem a cada santo dia. Não existe, portanto, um poder fiscalizatório eficiente, e nem poderia ter.

Depois, a parte explorada que fizer uma denúncia IMEDIATAMENTE é posta à margem do sistema. Quem contrata detém o poder econômico, da mesma forma que tem estabelecido, em regra, uma teia de relacionamentos com os outros agentes do mercado, ou seja, os outros escritórios que terceirizam serviços. Se um advogado busca seus direitos e tenta quebrar a regra do mercado (imposta de forma natural, diga-se de passagem), ele será inexoravelmente rifado do sistema. Ninguém quer pagar mais caro se pode pagar barato e ninguém quer contratar quem não é confiável quanto ao acordo de valores previamente estabelecido.

Ou seja: ou joga o jogo ou está fora.

Por fim, o grande causador do problema, o ensino jurídico super-saturado, continua do jeito que está e provavelmente continuará por muito tempo.

O drama da saturação decorre diretamente da expansão desenfreada de vagas de Direito em faculdades particulares. Hoje somos 800 mil advogados, e talvez fôssemos uns 2 milhões caso o Exame de Ordem não existisse.

É o Exame que impede(!) a precarização absoluta da profissão.

Sabemos que a OAB está interferindo no MEC para acabar com a expansão do ensino jurídico superior. E, creio, vai conseguir, mas uma coisa é impedir a expansão, outra, completamente diferente, é REDUZIR o atual quadro. Isto a OAB não vai conseguir fazer, pois o lobby do mercado da educação tem uma imensa influência e um belo de um poder econômico.

Por mais que a entidade se mobilize, crie pisos profissionais, faça ou aconteça, não vai conseguir mudar o quadro. A OAB não tem força para isto e suas mobilizações são meramente paliativas, quando não eleitoreiras.

O contexto é mais forte do que a entidade.

O mercado é resultado de um consenso entre os atores deste mesmo mercado, ou seja, ele, o mercado, NUNCA está errado.

A única solução orgânica para este quadro está em fechar o maior número possível de faculdades de Direito e esperar décadas para a situação se normalizar, afora esperarmos também um crescimento significativo da economia para ela poder absorver a mão-de-obra disponível.

Bom….não imagino ninguém fechando faculdades livremente, assim como a nossa economia vai de mal a pior.

As soluções possíveis dentro do atual contexto só irão produzir efeitos periféricos, por melhor que sejam as intenções.

Tenho a firme crença de que depende exclusivamente aos jovens advogados mudarem a própria realidade ao buscarem freneticamente uma melhor formação e outros fatores de diferenciação em relação aos demais profissionais. Quanto mais qualificado e diferenciado um profissional for, melhores chances ele terá perante o mercado.

Ninguém pode esquecer de uma preciosa regra econômica: o valor está na raridade!

O advogado “commodity”, igual aos  demais, sem vontade de crescer, está condenado a receber R$ 20,00 por uma audiência.

E nada, e nem ninguém, vai livrá-lo desta realidade.

O mercado não tem pena de ninguém.

- Categoria: Datas do Exame de Ordem

Edital do XV Exame de Ordem será publicado na próxima sexta-feira!

Bom dia jovens!

Na próxima sexta-feira teremos a publicação do edital do XV Exame de Ordem!

Confiram o calendário:

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Digamos que estamos muito próximos do ÚLTIMO MOMENTO para se dar início aos estudos.

Como vocês bem sabem, o tempo é um dos fatores essenciais para se construir a aprovação. Existe todo um conteúdo programático a ser vencido e o examinando precisa, exatamente, de tempo para vencê-lo. E, evidentemente, não basta só ler a doutrina ou assistir aulas para se preparar: é preciso adotar uma metodologia de estudos neste processo.

Quando é preciso reinventar a metodologia de estudos

Cronograma EMERGENCIAL de estudos para a 1ª fase do XV Exame de Ordem

Logo, a decisão de iniciar os estudos precisa ser tomada o quanto antes, e, evidentemente, ser posta em prática.

E o novo edital? Teremos novidades?

Depois da implantação da repescagem a OAB, até o momento, não tem mais nada para apresentar de novo.

E aqui vem um ponto curioso: este XV Exame não teremos novidades, mas no XVI possivelmente sim. Mas tratarei disto em outro post.

E no dia 16 de novembro? O que poderemos esperar da prova?

Tivemos, no XIV Exame, 110.820 inscritos. Destes, 38.014 foram aprovados na 1ª fase, ou seja, 34,30%.

Não foi um percentual de todo ruim para uma primeira fase. Já tivemos provas com percentuais bem menores de aprovação ainda na primeira fase.

Teremos a manutenção deste patamar de aprovação na próxima 1ª fase? Fica difícil fazer uma projeção por conta da oscilação dos percentuais mais recentes de aprovação. A OAB apertou o cinto no XI e XII Exames. No XIII, apesar da Ordem não ter divulgado no número de inscritos, sabemos que quantitativamente muitos foram aprovados – 36.971 – em um patamar bem próximo ao da última edição.

Temos de considerar, contudo, que a OAB não vem anulando questões na 1ª fase. Ou seja, quem ficar na dependência de recursos terá de contar com muita sorte para ir para a 2ª fase.

Muito bem!

Hora de separar o dinheiro da inscrição e de se preparar para o XV Exame! Novembro está logo aí!

- Categoria: Ensino jurídico

I Congresso Jurídico Online de Ciências Criminais – 24 renomados juristas em um Congresso online, gratuito e interativo!

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Nos dias 20, 21 e 22 de novembro a comunidade jurídica brasileira estará em frente ao computador para acompanhar, em tempo real e gratuitamente, as palestras interativas, mesas, debates e conferências ministradas pelos maiores criminalistas do país, no I Congresso Jurídico Online de Ciências Criminais, promovido pelo CERS Cursos Online.

Vejam só os dados deste congresso:

1 – 20 horas de palestras

2 – 24 palestrantes

3 – Ao vivo

4 – Online

5 – Inscrição gratuita

Link para a inscrição: I Congresso Jurídico Online de Ciências Criminais

Será o maior encontro jurídico da internet brasileira!

Confiram os grandes nomes que irão participar deste evento:

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Verdadeiramente imperdível!

- Categoria: Análise crítica do Exame

O conceito de “mínimo necessário para advogar” e a preparação para a OAB

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Em mais de uma oportunidade nesses mais de 7 anos em que lido com o Exame de Ordem escrevi  sobre a possibilidade da OAB aplicar a prova que bem quiser em termos de dificuldade. Ela só não pode ser sustentar erros técnicos, vícios de redação ou questões cujo enunciado não tenha a devida clareza.

E isso não é fácil.

Perdi a conta dos embates que já entrei, desde 2008, contra os critérios de correção das provas da OAB, tanto da 1ª como da 2ª fase.

Até hoje temos problemas com a qualidade e correção de questões objetivas e subjetivas, se bem que é forçoso reconhecer uma nítida evolução na qualidade da formulação das questões se compararmos com as provas de 2010, quando a FGV entrou no Exame.

A qualidade melhorou, mas ainda estamos longe da perfeição técnica tão sonhada por todos.

A FGV não anulou, por exemplo, nenhuma questão nas 3 últimas provas objetivas. É um fato que o número de recursos caiu, mas ainda assim havia margem para anulações.

As falhas, talvez, nunca acabem (inerente à condição de imperfeição do homem), mas, talvez, possamos chegar ao um estágio em que os erros sejam tão poucos que passem a ser assimiláveis sem grandes dramas.

Esse é um ponto.

O outro guarda correlação com o grau de dificuldade da prova: o que seria o ideal, justo, adequado?

Esse é um grande problema!

O que é o “mínimo necessário para advogar?”

Quem sabe? Isso não foi definido em lugar algum por ninguém.

Trata-se de uma peça de retórica, um conceito abstrato para definir o que o Exame de Ordem deve ser diante da sociedade e, em especial, como desafio para o exercício da profissão de advogado.

O “mínimo necessário” pode ser algo simples como também algo muito mais complexo e difícil. Se a ideia reside no fato do advogado ter de lidar com o MP, magistrados, poderes da república e o jurisdicionado, a ideia comporta não só uma série de definições e gradações como também de interpretações.

Sob este aspecto, a OAB e a FGV têm carta branca para fazerem o que acharem por bem.

Carta branca! E pode perfeitamente chamá-la de “mínimo necessário”.

Procurem comparar a última prova subjetiva de qualquer disciplina aplicada pelo CESPE em 2009 com o que é a 2ª fase hoje, sob a tutela da FGV. A discrepância é tangível.

Procurem comparar as primeiras provas da FGV, objetivas ou subjetivas, com as últimas. A discrepância também é tangível.

Uma verdade: o Exame de Ordem tem mudado de faceta ao longo do tempo. O grau de dificuldade e a própria maturidade da FGV dentro deste processo estão sempre em transformação.

E estão indo para onde?

Prestem bem atenção no que vou dizer: a tendência é, cada vez mais, a prova se tornar mais difícil, de cobrar o que ainda não foi cobrado e exigir mais ainda dos candidatos.

É até um processo natural.

Em 2007 não existia a unificação total: hoje sim.

Em 2008 só existia o Blog Exame de Ordem para orientar os candidatos. Hoje temos vários sites de temática e abordagens parecidas.

Em 2009 o CERS surgiu como curso online para prepará-los com qualidade. Hoje todo mundo está no online.

A quantidade de informação disponível para os candidatos subiu exponencioalmente, a qualidade e quantidade de aulas cresceu muito, a preocupação dos candidatos também evoluiu com o tempo.

O examinando de hoje não é o examinando de 5 anos atrás.

A prova seguiu essa linha de evolução.

Eis o ponto: quem não está ciente disto, quem não acompanha as mudanças, fica pelo caminho. Isso não só para o Exame como para qualquer outra coisa neste mundo.

A vida está em constante evolução e mudança. É um princípio da natureza, sempre constante, ou seja, a mudança é uma constante.

Fica aqui então meu recado: nunca, nunca e nunca esperem o óbvio, o mesmo ou facilidades no Exame de Ordem.

Sempre, sempre e sempre preparem-se para o PIOR. Preparem-se de forma COMPLETA, de forma séria e consistente.

Exame de Ordem não tem segredos ou mistérios, assim como os concursos públicos também não têm. Tudo se resume a se estar antenado nas mudanças, nas tendências e, evidentemente, de se estudar de forma séria, verdadeiramente profissional.

Estudo de qualidade só depende de empenho, estratégia e qualidade do material didático.

É virtualmente impossível acusar a OAB ou a FGV de pegar pesado, ou mesmo é praticamente impossível exigir qualquer contrapartida de ambas caso isso ocorra. A tendência é sempre a evolução da prova, assim como o Direito, a preparação e os candidatos também evoluem.

Portanto, fiquem atentos a tudo. O mundo gira há muito tempo e vai continuar assim indefinidamente.

- Categoria: Cursos do Portal

Lançados os cursos de disciplinas isoladas para o XV Exame de Ordem

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O Portal Exame de Ordem já lançou seus cursos de disciplinas isoladas para o XV Exame de Ordem.

Estão em dificuldade com alguma disciplina em específico? Querem reforçar o estudo nela? A escolha das Disciplinas Isoladas pode ser uma boa opção.

A vantagem do curso de disciplinas isoladas é que o aluno pode optar apenas por uma ou mais matérias específicas, focando seus estudos de forma a reforçar o que já sabe ou visando debelar deficiências específicas no conhecimento.

É também uma opção interessante para quem não pode pagar por um curso completo.

Confiram as disciplinas disponíveis clicando no link abaixo:

Disciplinas Isoladas para o XV Exame de Ordem

- Categoria: Como se preparar para a prova

Quando é preciso reinventar a metodologia de estudo

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“Navegar é preciso, viver não é preciso”. Assim sentenciou Fernando Pessoa!

Ou teria sido Pompeu, famoso general Romano e membro do primeiro triunvirato?

No século I a.C., quando os romanos viviam seu maior período de expansão, Pompeu foi incumbido com a missão de transportar o trigo das províncias para a cidade de Roma.

Os riscos de navegação eram grandes, e, em função das tempestades e dos constantes ataques de piratas, os tripulantes daquele empreitada pararam diante de um dilema: salvar Roma da grave crise de abastecimento causada por uma rebelião de escravos ou fugir dos riscos da viagem mantendo-se confortáveis na Sicília?

Plutarco, famoso historiador, revelou a resposta de Pompeu: “Navegar é preciso, viver não é preciso”.

De toda forma, o brilho dessa frase não se perdeu quando reenquadrada em outro contexto por Fernando Pessoa: as navegações portuguesas. No fundo, a premência por navegar e os riscos da empreitada (a imprecisão da vida) justificavam o esforço e a coragem de quem buscava no mar a vida.

Isso tudo só para dizer uma coisa: reinventar a metodologia de estudo é preciso, pois, tal como navegar, também é uma questão de sobrevivência.

Ou melhor…de aprovação!

Pensei nisso ao conversar com uma candidata, que mais uma vez colheu a reprovação na prova da 1ª fase. Confiram como foi parte do diálogo:

Eu:

Muito bem!

Que metodologia você usa?

Aluna:

Eu faço um cronograma e assisto aula.

Agora vou começar a resolver questões, mas não gosto muito não.

Prefiro assistir as aulas.

O problema está centrado no fato de que a metodologia usada, APESAR de já ter sido experimentada em mais de uma reprovação, não iria passar por mudanças.

Neste ponto só há uma solução: quebrar o modelo de estudo, ou seja, navegar!

O dilema entre navegar ou não foi importo por uma necessidade. Trocar de postura, trocar de método, é importante para dar continuidade, metaforicamente falando, à vida.

Trata-se do dilema do “mesmo problema, mesma resposta”. A pessoa não visualiza a experiência do fracasso como resultado de seus métodos, e sim como resultado de outros fatores, inclusive intelectuais.

De um modo geral, quem reprova não se pergunta se a metodologia empregada é eficiente ou não.

É preciso fazer uma autocrítica real! Por que o candidato reprova? Essa é a grande pergunta!

Por vezes a autocrítica é tão severa que a descrença quanto a capacidade pessoal é minada. Não raro o candidato vê os colegas de faculdade serem aprovados, aqueles mesmos colegas para quem ele passava cola ou, nos trabalhos em grupo ele mesmo resolvia tudo, e ainda assim, ele, o candidato que na faculdade era bem melhor que os demais, os vê sendo aprovados.

Algo está errado!

A prova da OAB tem suas peculiaridades, entre as quais destaco duas:

1 – privilegia a mnemotécnica;

2 – oferece pouco tempo para a preparação.

De 70 a 75% da prova é pura repetição da letra da lei, ou seja, quem tem mais facilidade para decorar os textos legais, ou melhor ainda, os “bizus” passados pelos professores, tem mais chances de obter sucesso.

Aqui faço uma observação interessante. Inteligência é um conceito muito amplo e imaginar que o fracasso é decorrência da “falta” de inteligência pode ser bastante errôneo.

Podemos falar de dois conceitos interessantes sobre o que é inteligência . Um decorre de um relatório condensado por uma equipe da Associação Americana de Psicologia, publicado em em 1995 -  Intelligence: Knowns and Unknowns:

Os indivíduos diferem na habilidade de entender ideias complexas, de se adaptarem com eficácia ao ambiente, de aprenderem com a experiência, de se engajarem nas várias formas de raciocínio, de superarem obstáculos mediante o pensamento. Embora tais diferenças individuais possam ser substanciais, nunca são completamente consistentes: o desempenho intelectual de uma dada pessoa vai variar em ocasiões distintas, em domínios distintos, a se julgar por critérios distintos. Os conceitos de ‘inteligência’ são tentativas de aclarar e organizar esse conjunto complexo de fenômenos.

A segunda definição foi explicitada no relatório Mainstream Science on Intelligence, assinado por 52 pesquisadores em 1994:

Uma capacidade mental bastante geral que, entre outras coisas, envolve a habilidade de raciocinar, planejar, resolver problemas, pensar de forma abstrata, compreender ideias complexas, aprender rápido e aprender com a experiência. Não é uma mera aprendizagem literária, uma habilidade estritamente acadêmica ou um talento para sair-se bem em provas. Ao contrário disso, o conceito refere-se a uma capacidade mais ampla e mais profunda de compreensão do mundo à sua volta – ‘pegar no ar’, ‘pegar’ o sentido das coisas ou ‘perceber’ uma coisa.

 Se a auto-estima estava abalada, os conceitos acima mostram que a reprovação pode ter uma série de causas, menos a própria percepção de inteligência.

Ora, se a prova é texto de lei, DECORAR, que é uma habilidade, não prejudicaria o próprio conceito de inteligência, que está mais associado a uma capacidade de COMPREENDER  e PROCESSAR informações, e não puramente decorar.

Isso é importante!

Logo, a incapacidade do candidato em passar muitas vezes está mais correlacionada com a adoção de uma metodologia de estudo equivocada do que com a própria inteligência tomada em si mesma.

Ou seja: há solução!

E qual é a metodologia de estudo CORRETA?

Não existe uma resposta pronta e acabada para esta pergunta, em especial porque as pessoas têm formas potencialmente distintas de apreender conteúdo.

Uma metodologia útil para um estudante não seria tão eficiente para outro.

Mas o ponto é: qual é a melhor metodologia de estudo para quem já reprovou várias vezes no Exame?

Uma certeza: NÃO é a mesma utilizada até agora!

Se a mesma metodologia produziu um mesmo resultado, um resultado distinto só será obtido se uma nova metodologia de estudo for usada.

Não falo aqui em estudar mais, e sim em estudar de forma diferente!

Eu desde sempre sugiro o seguinte método:

1 – leitura de doutrina específica para a OAB + leitura simultânea do texto legal;

2 – Elaboração de resumo, feito de cabeça, logo após o período de estudos;

3 – Resolução de exercícios para evocar o conteúdo de uma forma distinta;

4 – Retroalimentação, ou, revisão do conteúdo estudado após um determinado tempo e por determinadas vezes.

Mas esse é um modelo que não só aceita em si uma série de variações como pode ser trocado por alguns outros modelos diferentes. Depende da particularidade de cada um.

Depende também de tentativas e erros, de experiências e avaliações.

Existe inclusive uma abordagem específica sobre isto: a metapreparação, que é o estudo sobre a forma como aprendemos.

E como saber se um método de estudo é eficiente?

Só há única forma de saber se um determinado método é eficiente: pelo resultado final!

Ou seja, se depois de algum tempo a informação estuda está retida e o estudante consegue lidar com ele de forma desembaraçada e correta, ele aprendeu, e assim o método usado é validado.

Evidentemente, a metodologia e sua eficiência devem ser balizados pelo fator tempo. Se você usa um método e ele só vai produzir resultado daqui 1 ano para a abordagem de um tema, se demonstra eficiente considerando o resultado final, mas não eficiente considerando o fator tempo.

Ambos tem de ser eficazes!

Vejo candidatos que passam após 7, 8 ou 9 edições depois de baterem na parede com o mesmo método em todas as oportunidades. Foram aprovados mais em função do longo tempo usado do que pela eficiência da forma de estudar. Entretanto, depois de verem e reverem um mesmo conteúdo por tantas vezes, seria difícil não colher o resultado positivo.

O pior é saber que o método equivocado será usado ao longo da vida. Se este candidato resolver se tornar um concurseiro, ele vai levar consigo uma série de vícios de estudo, consubstanciados em uma metodologia equivocada, que o colocará em desvantagem diante dos futuros concorrentes.

Aqui faço uma importante ressalva: falei do tempo de aprendizado, mas isso não significa dizer que a eficiência está ligada a uma velocidade absurda.

Aprender é um processo complexo e demorado por si mesmo. Duvidem de facilidades, de “aprendizagens aceleradas” e coisas semelhantes. O cérebro de todos nós é parecido, e “milagres” cognitivos não existem.

Ler e apreender demanda atenção, foco e concentração. Fazer resumos é algo que eu particularmente considerado enfadonho, mas é eficiente. Resolver exercícios, errar e aprender com o erro demanda tempo também. Repetir esse processo em um sistema de revisão também cansa, mas é necessário.

Duvidem dos milagres!

Há um “ajuste fino” na questão do tempo, e tempo dedicado aos estudos, complexidade do conteúdo, volume de estudos e tempo de apreensão do conteúdo com segurança devem ser levados em consideração. Não tem uma fórmula do que é ideal, depende de cada um, e uma reflexão séria sobre isto precisa ser feita.

Estratégia

A estratégia tem uma clara vinculação com escolhas e ações, e ambas precisam ser as melhores visando a produção de um resultado final eficiente.

Isso envolve, entre outras coisas:

1 – estudar sozinho ou em grupo;

2 – ler doutrina, fazer cursinho ou ambos;

3 – Definir o tempo ideal de preparação para se sentir pronto para a prova e, via de consequência, escolher a edição correta do Exame a ser feita. Isso quer dizer que o próximo exame não precisa ser, necessariamente, o exame alvo;

4 – a escolha da metodologia de estudo;

5 – a escolha do material didático;

6 – gestão dos fatores emocionais;

7 – escolha do local ou locais de estudo.

Estratégia é um conceito diferente do de metodologia de estudo, e ter uma, um planejamento, também é importante, pois o candidato não desperdiça energias com o que não é relevante e ele pode seguir um roteiro com segurança, sabendo o que escolheu e por que escolheu.

O candidato vai estudar no curso barato ou no curso caro? Isso faz diferença? Qual diferença?

Curso ou doutrina? Por que um e por que outro? Qual se amolda melhor a minha metodologia de estudo?

Eu prefiro ler ou ver uma aula? Prefiro fazer um resumo escrevendo ou recitando?

Quanto tempo devo dispor para estudar? Do que vou abdicar par isto?

Estudo finais de semana ou deixo eles para descansar?

São muitas variáveis, que podem ser pensadas sem grandes dificuldades, mas que são ao mesmo tempo importantes para a estruturação final da ESTRADA que levará o candidato até a aprovação.

IMPORTANTE!

Esse texto é para quem já reprovou!

Neste caso, aceite o fato de que uma reformulação é necessária. De que o que vinha sendo feito antes não é adequado. Pare, pense, reflita e trace um roteiro sobre um PROJETO!

Sim! Passar na OAB é um projeto, e ao menos um ou dois dias planejando a aprovação devem ser usados. Isso é sério, e se feito de forma adequada a aprovação tão almejada ficará, sem a menor sombra de dúvida, bem mais próxima.

- Categoria: Advocacia

Proposta isenta juízes, promotores, delegados e defensores do exame da OAB

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A Câmara analisa o Projeto de Lei 7116/14, do deputado Francisco Tenório (PMN-AL), que permite a inscrição na Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), sem o exame de admissão, de juízes, promotores, defensores públicos, e delegados de polícia. Para isso, esses profissionais devem ter três anos de serviço nessas carreiras consideradas “jurídicas”.

“É sabido que os profissionais de carreira jurídica do Estado passam longos anos de suas vidas dedicando-se totalmente à justiça social do nosso País, atuando nas mais diversas áreas do direito e, ao aposentar-se, alguns buscam ingressar no quadro da OAB, ocasião em que, são compelidos a prestar exame de ordem para obter a tão desejada inscrição”, explica o autor.

Tramitação

A proposta foi apensada ao PL 5801/05, que acaba com a exigência do exame, e está para ser analisado pela Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania.

Fonte: Agência Câmara

Anotem aí: eu sou absolutamente este projeto!

É aquela historinha velha de sempre: todos são iguais perante a lei, mas uns são mais iguais ainda.

O prévio exercício de uma profissão jurídica não representa um aval para se advogar. Afinal, a prova da OAB tem características próprias e advogar é um tanto quanto diferente de exercer a magistratura, por exemplo.

Ou, por acaso, pareceria constrangedor a um magistrado com décadas de toga ter de se misturar com a massa de jovens bacharéis na fila para fazer a OAB?

Ou, por acaso também, pegaria MUITO MAL ver um membro do MP ou um delegado de polícia reprovar na “simples” prova da OAB?

Ahhhh, ficaria feio, né?

Falamos tanto aqui em ingresso na Ordem pela porta da frente, mas certas portas laterais sempre são improvisadas. Hoje, em razão do provimento 144/11 da OAB, ainda em vigor, ex-magistrados e ex-membros do MP não precisam fazer a prova:

Art. 6º A aprovação no Exame de Ordem é requisito necessário para a inscrição nos quadros da OAB como advogado, nos termos do art. 8º, IV, da Lei n.º 8.906/1994.

Parágrafo único. Ficam dispensados do Exame de Ordem os postulantes oriundos da Magistratura e do Ministério Público e os bacharéis alcançados pelo art. 7º da Resolução n. 02/1994, da Diretoria do CFOAB.

Lembro-me inclusive da votação deste provimento, no Plenário do CFOAB, e a deliberação foi bem dividida quanto a este item. A lei sedimentaria de vez esse direito.

Esta é uma questão que a OAB deveria rever. Aliás, o período eleitoral da Ordem está vindo aí. Seria interessante cobrar dos candidatos um posicionamento quanto a este tema.

Segue a íntegra do projeto:

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- Categoria: Ensino jurídico

A “geração do diploma perdido”, ou, como o Brasil fabrica profissionais que não sabem trabalhar

Nunca tantos brasileiros chegaram às salas de aula das universidades, fizeram pós-graduação ou MBAs. Mas, ao mesmo tempo, não só as empresas reclamam da oferta e qualidade da mão-de-obra no país como os índices de produtividade do trabalhador custam a aumentar.

Diploma

Na última década, o número de matrículas no ensino superior no Brasil dobrou, embora ainda fique bem aquém dos níveis dos países desenvolvidos e alguns emergentes. Só entre 2011 e 2012, por exemplo, 867 mil brasileiros receberam um diploma, segundo a mais recente Pesquisa Nacional de Domicílio (Pnad) do IBGE.

Mas mesmo com essa expansão, na indústria de transformação, por exemplo, tivemos um aumento de produtividade de apenas 1,1% entre 2001 e 2012, enquanto o salário médio dos trabalhadores subiu 169% (em dólares)“, diz Rafael Lucchesi, diretor de educação e tecnologia na Confederação Nacional da Indústria (CNI).

A decepção do mercado com o que já está sendo chamado de “geração do diploma” é confirmada por especialistas, organizações empresariais e consultores de recursos humanos.

Os empresários não querem canudo. Querem capacidade de dar respostas e de apreender coisas novas. E quando testam isso nos candidatos, rejeitam a maioria“, diz o sociólogo e especialista em relações do trabalho da Faculdade de Economia e Administração da USP, José Pastore.

Entre empresários, já são lugar-comum relatos de administradores recém-formados que não sabem escrever um relatório ou fazer um orçamento, arquitetos que não conseguem resolver equações simples ou estagiários que ignoram as regras básicas da linguagem ou têm dificuldades de se adaptar às regras de ambientes corporativos.

Cadastramos e avaliamos cerca de 770 mil jovens e ainda assim não conseguimos encontrar candidatos suficientes com perfis adequados para preencher todas as nossas 5 mil vagas“, diz Maíra Habimorad, vice-presidente do DMRH, grupo do qual faz parte a Companhia de Talentos, uma empresa de recrutamento. “Surpreendentemente, terminamos com vagas em aberto.”

Outro exemplo de descompasso entre as necessidades do mercado e os predicados de quem consegue um diploma no Brasil é um estudo feito pelo grupo de Recursos Humanos Manpower. De 38 países pesquisados, o Brasil é o segundo mercado em que as empresas têm mais dificuldade para encontrar talentos, atrás apenas do Japão.

É claro que, em parte, isso se deve ao aquecimento do mercado de trabalho brasileiro. Apesar da desaceleração da economia, os níveis de desemprego já caíram para baixo dos 6% e têm quebrado sucessivos recordes de baixa.

Mas segundo um estudo divulgado pelo Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas (Ipea) divulgado nesta semana, os brasileiros com mais de 11 anos de estudo formariam 50% desse contingente de desempregados.

Mesmo com essa expansão do ensino e maior acesso ao curso superior, os trabalhadores brasileiros não estão conseguindo oferecer o conhecimento específico que as boas posições requerem“, explica Márcia Almstrom, do grupo Manpower.

Causas

Especialistas consultados pela BBC Brasil apontam três causas principais para a decepção com a “geração do diploma”.
A principal delas estaria relacionada a qualidade do ensino e habilidades dos alunos que se formam em algumas faculdades e universidades do país.

Os números de novos estabelecimentos do tipo criadas nos últimos anos mostra como os empresários consideram esse setor promissor. Em 2000, o Brasil tinha pouco mais de mil instituições de ensino superior. Hoje são 2.416, sendo 2.112 particulares.

Ocorre que a explosão de escolas superiores não foi acompanhada pela melhoria da qualidade. A grande maioria das novas faculdades é ruim“, diz Pastore.

Tristan McCowan, professor de educação e desenvolvimento da Universidade de Londres, concorda. Há mais de uma década, McCowan estuda o sistema educacional brasileiro e, para ele, alguns desses cursos universitários talvez nem pudessem ser classificados como tal.

São mais uma extensão do ensino fundamental“, diz McCowan. “E o problema é que trazem muito pouco para a sociedade: não aumentam a capacidade de inovação da economia, não impulsionam sua produtividade e acabam ajudando a perpetuar uma situação de desigualdade, já que continua a ser vedado à população de baixa renda o acesso a cursos de maior prestígio e qualidade.

Para se ter a medida do desafio que o Brasil têm pela frente para expandir a qualidade de seu ensino superior, basta lembrar que o índice de anafalbetismo funcional entre universitários brasileiros chega a 38%, segundo o Instituto Paulo Montenegro (IPM), vinculado ao Ibope.

Na prática, isso significa que quatro em cada dez universitários no país até sabem ler textos simples, mas são incapazes de interpretar e associar informações. Também não conseguem analisar tabelas, mapas e gráficos ou mesmo fazer contas um pouco mais complexas.

De 2001 a 2011, a porcentagem de universitários plenamente alfabetizados caiu 14 pontos – de 76%, em 2001, para 62%, em 2011. “E os resultados das próximas pesquisas devem confirmar essa tendência de queda”, prevê Ana Lúcia Lima, diretora-executiva do IPM.

Segundo Lima, tal fenômeno em parte reflete o fato da expansão do ensino superior no Brasil ser um processo relativamente recente e estar levando para bancos universitários jovens que não só tiveram um ensino básico de má qualidade como também viveram em um ambiente familiar que contribuiu pouco para sua aprendizagem.

Além disso, muitas instituições de ensino superior privadas acabaram adotando exigências mais baixas para o ingresso e a aprovação em seus cursos“, diz ela. “E como consequência, acabamos criando uma escolaridade no papel que não corresponde ao nível real de escolaridade dos brasileiros.”

Postura e experiência

A segunda razão apontada para a decepção com a geração de diplomados estaria ligada a “problemas de postura” e falta de experiência de parte dos profissionais no mercado.

“Muitos jovens têm vivência acadêmica, mas não conseguem se posicionar em uma empresa, respeitar diferenças, lidar com hierarquia ou com uma figura de autoridade”, diz Marcus Soares, professor do Insper especialista em gestão de pessoas.

“Entre os que se formam em universidades mais renomadas também há certa ansiedade para conseguir um posto que faça jus a seu diploma. Às vezes o estagiário entra na empresa já querendo ser diretor.”

As empresas, assim, estão tendo de se adaptar ao desafio de lidar com as expectativas e o perfil dos novos profissionais do mercado – e em um contexto de baixo desemprego, reter bons quadros pode ser complicado.

Para Marcelo Cuellar, da consultoria de recursos humanos Michael Page, a falta de experiência é, de certa forma natural, em função do recente ciclo de expansão econômica brasileira.

“Tivemos um boom econômico após um período de relativa estagnação, em que não havia tanta demanda por certos tipos de trabalhos. Nesse contexto, a escassez de profissionais experientes de determinadas áreas é um problema que não pode ser resolvido de uma hora para outra”, diz Cuellar.

Nos últimos anos, muitos engenheiros acabaram trabalhando no setor financeiro, por exemplo.

“Não dá para esperar que, agora, seja fácil encontrar engenheiros com dez ou quinze anos de experiência em sua área – e é em parte dessa escassez que vem a percepção dos empresários de que ‘não tem ninguém bom’ no mercado”, acredita o consultor.

‘Tradição baicharelesca’

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Por fim, a terceira razão apresentada por especialistas para explicar a decepção com a “geração do diploma” estaria ligada a um desalinhamento entre o foco dos cursos mais procurados e as necessidades do mercado.

De um lado, há quem critique o fato de que a maioria dos estudantes brasileiros tende a seguir carreiras das ciências humanas ou ciências sociais – como administração, direito ou pedagogia – enquanto a proporção dos que estudam ciências exatas é pequena se comparada a países asiáticos ou alguns europeus.

“O Brasil precisa de mais engenheiros, matemáticos, químicos ou especialistas em bioquímica, por exemplo, e os esforços para ampliar o número de especialistas nessas áreas ainda são insuficientes”, diz o diretor-executivo da Câmara Americana de Comércio (Amcham), Gabriel Rico.

Segundo Rico, as consequências dessas deficiências são claras: “Em 2011 o país conseguiu atrair importantes centros de desenvolvimento e pesquisas de empresas como a GE a IBM e a Boeing”, ele exemplifica. “Mas se não há profissionais para impulsionar esses projetos a tendência é que eles percam relevância dentro das empresas.

Do outro lado, também há críticas ao que alguns vêem como um excesso de valorização do ensino superior em detrimento das carreiras de nível técnico.

É bastante disseminada no Brasil a ideia de que cargos de gestão pagam bem e cargos técnicos pagam mal. Mas isso está mudando – até porque a demanda por profissionais da área técnica tem impulsionado os seus salários”, diz o consultor.

Rafael Lucchesi concorda. “Temos uma tradição cultural baicharelesca, que está sendo vencida aos poucos”, diz o diretor da CNI – que também é o diretor-geral do Senai (Serviço Nacional da Indústria, que oferece cursos técnicos).

Segundo Lucchesi, hoje um operador de instalação elétrica e um técnico petroquímico chegam a ganhar R$ 8,3 mil por mês. Da mesma forma, um técnico de mineração com dez anos de carreira poderia ter um salário de R$ 9,6 mil – mais do que ganham muitos profissionais com ensino superior.

Por isso, já há uma procura maior por essas formações, principalmente por parte de jovens da classe C, mas é preciso mais investimentos para suprir as necessidades do país nessa área”, acredita.

Fonte: BBC Brasil

Essa matéria converge com tudo o que eu penso e escrevo sobre o ensino superior no Brasil desde 2008.

Vivemos uma verdadeira bolha educacional, em que as faculdades fingem que ensinam e os estudantes fingem que aprendem. O problema é nessa equação é o tal do mercado, aquele que emprega e seleciona.

E o mercado não tem piedade de ninguém.

O problema da falta de qualidade no ensino superior é sistêmico e afeta todas as cadeiras do ensino superior. No Direito, a face mais visível dessas deficiências ganha uma visibilidade bem maior por conta do Exame de Ordem. Claro, a prova comete muitas injustiças, mas o grosso das reprovações decorre de uma formação deficitária na faculdade.

E certos parlamentares, mais interessados em votos do que em melhorar o ensino superior, ainda pretendem acabar com o Exame.

Tudo cobra seu preço.

A OAB está tentando controlar, junto com o MEC, o estrago já feito, ao menos na área jurídica, mas a busca por uma solução está vindo muito tarde.

A boa notícia em meio a essa triste realidade é uma só: o estudante sério tem e sempre terá o seu espaço. Basta ser um pouco mais dedicado.

Em terra de analfabetos funcionais, quem sabe interpretar é rei.

- Categoria: Advocacia

Lançado o Curso de Resolução de Questões para o XV Exame de Ordem

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Resolver questões talvez seja a sistemática mais efetiva para evocar um conhecimento previamente assimilado e fixá-lo, através da experiência prática, com mais intensidade na memória.

No livro The Little Book of Talent: 52 Tips for Improving Your Skills, o autor, Daniel Coyle, chega a conclusão de que para aprender não se pode permanecer “apático”. A leitura é um processo passivo, você só deixa as palavras entrarem no seu cérebro. Para fixar, de fato, um conteúdo é necessário transformar o processo da leitura em algo ativo.

Por que fazer o nosso Curso de Resolução de Questões?

Vamos partir da premissa de que a 1ª fase do Exame de Ordem é o grande filtro, o momento em que a OAB faz o maior corte entre os candidatos inscritos.

Uma forma de fugir das estatísticas negativas e lograr a aprovação no Exame é buscar a melhor preparação. Aliás, afirmar isso beira a ingenuidade. Se preparar muito é a premissa básica para se maximizar as probabilidades de aprovação.

Um estudo publicado em janeiro de 2013 na revista científica Psychological Science in the Public Interest mensurou quas seriam as melhores técnicas de estudo entre aquelas que são mais comuns entre os estudantes. A conclusão é que a resolução de exercícios encontra-se no mais elevado grau de eficiência, sendo até duas vezes mais eficiente em comparação com outras técnicas de aprendizagem.

Em suma: o processo de estudo não pode ser trabalhado de forma estanque – o estudante deve se inteirar da doutrina, confrontá-la com a lei, elaborar resumos e resolver exercícios. Essas etapas, distintas entre si, mas consideradas como um processo global, certamente produzirão ótimos resultados como método de aprendizagem.

Eis então a razão para vocês fazerem o nosso Curso de Resolução de Questões para o XIV Exame de Ordem.

Resolver questões, compreendê-las, praticar a lógica dos enunciados estão compreendidos dentro de um processo ativo, e, como tal, o examinando consegue estabelecer “pontes” de fixação do conteúdo estudado e maximiza seu aprendizado.

Esse é a lógica do curso.

Seguindo este perfil, assistir a aula (processo passivo), fazer anotações (processo ativo), compreender a lógica dos enunciados (processo passivo), resolver questões (processo ativo) formam um sistema de estudo capaz de proporcionar um aprendizado com significativo poder de retenção do conteúdo exigido no Exame de Ordem. e, somado com outras metodologias de estudo (leitura, por exemplo) preparam de forma intensa o candidato para a prova da 1ª fase.

Curso de Resolução de Questões representa uma variação da abordagem geral dos estudos, juntando processos ativos e passivos de estudo. Ao ver uma aula ou ler o livro, o candidato toma contato com a informação, a resolver um exercício, ou compreender como uma questão deve ser respondida, ele utiliza uma outra abordagem, outra faceta, ao mesmo expositiva do conteúdo previamente estudado como também fixadora da matéria, seja no acerto, manifestação de compressão do conteúdo, seja no erro, revelador das deficiências no aprendizado.

Portanto, não só o candidato deve começar a se preparar o quanto antes como também deve valer-se de abordagens distintas sobre o conteúdo, visando sedimentar o conhecimento necessário para resolver a prova.

O objetivo do curso é revisar através da resolução de questões o conteúdo para o XV Unificado abordando o material da banca FGV (do Exame de Ordem e de concursos também!) proporcionando ao aluno a revisão de pontos relevantes do conteúdo programático e a familiarização com as provas da Fundação.

Serão gravados 42 encontros, de aproximadamente 2 (duas) horas cada.

Valor do investimento: R$ 295,73 (duzentos e noventa e cinco reais e setenta e três centavos)

Cliquem no link a seguir para mais detalhes sobre o curso - CURSO DE RESOLUÇÃO DE QUESTÕES.